Quando a bipolaridade se confunde com a depressão

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Isabel Policarpo

Isabel Policarpo

Nem sempre é fácil perceber quando se está perante uma perturbação bipolar, a partilha de alguns sintomas com outras afecções, aliada à própria evolução do quadro clínico podem contribuir para esta dificuldade.

Uma situação muito comum consiste em fazer-se o diagnóstico de em vez do diagnóstico de bipolaridade, uma questão que se deve por um lado ao facto das pessoas com perturbação bipolar tendencialmente pedirem ajuda quando se encontram na fase depressiva da doença, e por outro ao facto de uma percentagem importante das pessoas com perturbação bipolar, só apresentarem um episódio maníaco passados três ou mais episódios depressivos.

Como se sabe um dos traços característicos da bipolaridade prende-se com a alternância de humor – entre episódios com humor deprimido e episódios de mania – mas a fase de euforia pode apenas ocorrer após alguns episódios depressivos, sendo assim difícil perceber se se está perante uma depressão ou uma depressão recorrente ou antes perante uma perturbação bipolar. Acresce que há situações em que a fase de euforia é relativamente ténue, podendo passar despercebida, sendo assim é uma vez mais apenas visível a fase depressiva, o que torna difícil chegar ao diagnóstico de bipolaridade.

É especialmente importante diferenciar a depressão bipolar da depressão propriamente dita, uma vez que a administração de antidepressivos no contexto de uma perturbação bipolar pode provocar nomeadamente uma viragem para a fase maníaca. Hoje sabe-se que a bipolaridade requer uma abordagem farmacológica distinta da que é utilizada na depressão.

Um aspecto que auxilia o médico no seu diagnóstico diferencial é o facto da fase depressiva da perturbação bipolar se caracterizar por apresentar sintomas de tipo mais comportamental com particular destaque para uma marcada perda de energia, enquanto na depressão propriamente dita dominam sintomas de tipo mais cognitivo, como pensar que a vida não vale a pena.

Episódios prévios de alterações de humor, episódios actuais ou passados de depressão psicótica, sintomas depressivos recorrentes antes dos 25 anos, uma história familiar de perturbação do humor e suicídio e a falta de resposta ao tratamento com antidepressivos – alertam para a necessidade de se equacionar o diagnóstico de depressão bipolar.

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