Quando a comunicação entre casais se rompe

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António Norton

António Norton

Como podemos entender-nos (…), se nas palavras que digo coloco o sentido e o valor das coisas como se encontram dentro de mim; enquanto quem as escuta inevitavelmente as assume com o sentido e o valor que têm para si, do mundo que tem dentro de si?

Luigi Pirandello

 

O que é comunicar?

Como a própria palavra indica, comunicar é tornar comum, ou seja, é partilhar a mesma informação. Quando falamos de informação, falamos de ideias. Esta informação pode ser factual ou interpretativa.

Uma informação factual poderá ser por exemplo:

“São oito da noite”

Quando se comunicam informações factuais, raramente surgem conflitos ou mal entendidos.

Uma informação interpretativa, é toda aquela que nasce do fruto de uma interpretação pessoal, subjectiva e intencional.

A maior parte das discussões entre casais deve-se a diferentes interpretações de um mesmo comportamento.

 

Vejamos um exemplo:

Um namorado arranca flores de um jardim vizinho e surpreende a namorada que o aguarda em casa.

O comportamento é oferecer flores. O namorado interpreta este acto como algo romântico, inesperado e especial.

 

A namorada, quando vê as flores e percebe que foram arrancadas de um jardim, tem uma interpretação totalmente diferente. Sente-se vulgarizada, nem sequer digna de um verdadeiro ramo de flores comprado numa florista. Sente que o seu namorado não se esforça minimamente e dá-se uma discussão, um conflito, uma quebra de comunicação.

 

Já não há comunicação. Há apenas um duelo de perspectivas totalmente diferentes de um mesmo acto. Cada elemento do casal refugia-se na sua visão e dá-se mais uma das célebres discussões de casais que tantas vezes destroem os relacionamentos.

A maior causa de rupturas nos casais, é a falta de comunicação.

 

O que fazer perante esta situação?

Esclarecer, esclarecer, esclarecer! Clarificar, clarificar, clarificar!

A comunicação tem de voltar a ser comum e, para tal, é fundamental discutir os diferentes pontos de vista. Cada elemento do casal deverá explorar a sua perspectiva, a sua visão, sem juízos acusatórios.

 

Deverá expressar o que sentiu perante tal mensagem. O namorado poderá dizer algo como:

“Eu estava a passear perto de casa e vi umas flores tão bonitas que não resisti. Resolvi fazer-te uma surpresa. Foi um acto espontâneo e bonito. Só quis surpreender-te. Já há muito tempo que não tinha um gesto assim e quis tê-lo. Também podia ter comprado umas flores, mas preferi fazer assim. Fico muito magoado e desiludido com a tua reacção.”

 

A namorada poderá dizer algo como: “Nunca me surpreendes! Ganhas cada vez melhor e a nossa vida é uma rotina frustrante! Só oiço as minhas amigas radiantes com os seus namorados que as surpreendem e tu surges com umas flores, ainda para mais já meio mortiças, sem um arranjo, sequer! Sinto que fazes tudo a despachar e mais uma vez sinto-me vulgarizada, como se não fosse especial…”

 

Após a partilha destes dois pontos de vista, o namorado fica a saber que a sua namorada sente que ele não se esforça pela relação.

A discussão pode passar a versar sobre: como é que ambos se poderão esforçar mais na relação de forma a que se sintam mais felizes e realizados.

 

Estas discussões nunca são fáceis… Mas o mais importante é procurar clarificar as situações. Perceber o que cada um sentiu perante um dado comportamento.

A partilha do que cada um sentiu poderá abrir portas a conversas sobre as fragilidades da relação e, consequentemente, a procura de pontos em comum.

 

As discussões serão tanto mais produtivas quanto mais apontarem para a responsabilização do casal e não para a acusação singular de um dos elementos.

 

Imagine se o namorado chegasse a casa com as flores, a namorada fizesse um sorriso amarelo e começasse a responder-lhe de forma antipática e agressiva, sem que este percebesse de onde vinha tanta irritação e mal-estar.

 

É fundamental comunicar para que cada elemento consiga perceber o ponto de vista do outro e assim procurarem pontes de entendimento.

 

Criar pontes… Criar cumplicidades…Pontos de entendimento. É disso que é feito uma relação harmoniosa.

 

Vale a pena pensar nisto

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