Quando as imagens parecem engolir as palavras

quando as imagens parecem engolir as palavrasQuando acontece um evento de grandes dimensões como um acidente ou um desastre natural, rapidamente somos invadidos por uma série de imagens. Para quem foi exposto diretamente ao evento surgem frequentemente memórias do que aconteceu em forma de imagens repentinas (flashbacks). Para quem recebe a notícia, recebe-a muitas vezes sob a forma de imagens que dão a conhecer o sucedido, como por exemplo, através dos vários canais dos media. E não só das imagens que vê, mas das imagens que rapidamente imagina quando vê determinadas imagens ou quando ouve determinada notícia. Uma catadupa de imagens que nos fazem sentir uma enorme dor. E é aqui que as palavras teimam em não aparecer… E quando aparecem, parecem ser parcas para tamanhas imagens!

 

Costuma dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras, pelo que rapidamente através das imagens com que somos confrontados, conseguimos imaginar a dor de quem as vivenciou, o que demonstra a nossa capacidade empática, dando-nos vontade de agir e ajudar. Mas como dizia, por vezes, faltam as palavras… O que se diz num momento destes? Será que o que eu vou dizer é suficiente?

 

Sabemos que perante a exposição a um evento de grandes dimensões como um acidente ou um desastre natural, segue-se uma reação imediata de choque e negação, as quais representam reações de proteção normais em qualquer indivíduo. À medida que o tempo passa, emoções intensas e flashbacks surgem frequentemente. Estas são reações normais após a exposição a um acontecimento traumático, no entanto, pode ser difícil para muitas pessoas continuar a viver o seu dia-a-dia normalmente.

 

Como tal, mais do que palavras, existem muitas outras coisas que podemos fazer para ajudar quem passou por uma experiência deste género. Estar disponível para escutar o outro, pode ser essencial para que ele se sinta apoiado e compreendido. Estar ao lado do outro, mesmo que sem palavras, pode ajudá-lo a sentir a presença, conforto e que pode contar connosco. Poucas palavras como “Eu compreendo”, podem fazer a diferença. Ações simples como levar a pessoa a algum lado ou ajudá-la com determinada tarefa também poderão fazer a diferença. Uma imagem vale mais do que mil palavras, por isso, o simples facto de ajudarmos a criar novas imagens de apoio, carinho e compreensão no momento presente podem ser de uma grande ajuda.

Inês Chiote Rodrigues
Inês Chiote RodriguesPsicóloga Clínica
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2017-06-23T13:04:00+00:00 Junho 23rd, 2017|Inês Chiote Rodrigues, Trauma|
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