Quando o terapeuta e o cliente se despedem

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Ana Beirão

Ana Beirão

A despedida do cliente é algo difícil de processar e por vezes é complicada de gerir. O terapeuta pode sentir alguma angústia, ficar a pensar no que pode acontecer. Afinal, estabeleceu-se uma relação terapêutica que em alguns casos chega a durar anos. Conhece-se o outro ser humano de uma forma profunda, as suas fragilidades e forças. No entanto a despedida é necessária e acarreta com ela várias significações importantes – a responsabilidade do outro de cuidar de si, de não se tornar dependente do terapeuta, de encontrar diferentes respostas para os seus problemas, de implementar o que aprendeu nas sessões e de se sentir capaz. A intenção não é de que a pessoa permaneça para sempre em terapia, mas sim trabalhar as dificuldades sentidas, devolver o bem-estar, desenvolver novas capacidades ou fortalecer as existentes. Depois é ir avaliando aquilo que se sente que o outro alcançou, questionar a si próprio e ao outro se existe algo mais a trabalhar e em seguida resolver, continuar ou finalizar o processo, de forma estruturada.

Se foi decidido finalizar o processo, é importante ter em conta (John Grohol em Psycentral.com):

1) Compreender o processo. Por vezes pode ser o terapeuta a decidir, como também pode ser o cliente. É necessário discutir a escolha; quando tomada, opta-se por uma data e até lá explora-se os sentimentos do cliente, assim como os objectivos e os progressos sentidos. Faz-se uma revisão das técnicas aprendidas;

2) Falar atempadamente permite que o cliente possa sentir ansiedade e esta seja trabalhada nas restantes sessões;

 3) Escolher uma data final em que as duas partes estejam de acordo. Torna-se também num objectivo trabalhado por ambos.

 4) O deixar ir da relação não é fácil para o cliente. É possível sentir diferentes emoções e por isso é importante expressá-las ao terapeuta.

5) Sentir ansiedade e zanga é natural quando se inicia o fim do processo, assim, partilhe aquilo que vai sentido (através da fala, escrita, etc.).

6) Fazer perguntas faz com que não haja dúvidas. É natural que no fim do processo o cliente pergunte sobre recaídas, sobre a necessidade de no futuro voltar a precisar de um novo acompanhamento, peça informação sobre grupos de apoio existentes ou livros que possam ajudar a lidar com as diferentes situações.

7) Perceber se não está pronto, ou se o que está a sentir é ansiedade ou desconforto por a terapia finalizar.

8) Finalizar o processo frente a frente, dizer o adeus, faz com que sinta que o processo encerra. É importante “concluir” o relacionamento saudável.

9) A última sessão é diferente de pessoa para pessoa, pode implicar um resumo do trabalho feito e uma despedida, seja em forma de aperto de mão ou de um abraço.

10) Apesar de o processo finalizar, começa uma nova fase da vida para o cliente. É uma nova transição, que inicialmente pode ser um pouco assustadora, mas acaba por se tornar desafiante; e com as ferramentas aprendidas acaba por abraçar a nova etapa.

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