Quando queremos mudar o outro…

Autor: Vanessa Damásio

Quando iniciamos uma relação, começamos uma viagem rumo à descoberta do outro e de nós mesmos. No começo surge o enamoramento, a paixão, que poderá fazer com que o outro seja visto de forma idealizada, mas com o tempo surge também a rotina, os defeitos e os pormenores que por vezes nos podem incomodar e que gostaríamos de mudar. Em todas as relações é necessário existir um ajustamento mútuo, uma partilha de experiências e uma constante readaptação, mas tal não significa que devemos querer mudar o outro, mesmo que seja para bem dele.

Querer mudar o outro implica que essa transformação seja imposta, e não decidida pelo próprio, o que por si só não constitui uma verdadeira mudança, mas sim uma obrigação, que pode causar uma postura defensiva e sentimentos de insuficiência, impotência e desvalorização. Mesmo alegando que é para o bem do outro, o “feitiço pode virar-se contra o feiticeiro”, a defesa afasta o casal e a as emoções que se desenvolvem perante a desvalorização podem ser a zanga, raiva e frustração.

Ao invés de querer mudar o outro, podemos adotar uma postura de expressão de necessidades próprias e não de crítica, e simultaneamente sugerir alternativas comuns, ajustando a nossa contribuição a favor do que o outro possa alcançar, numa proposta de caminho conjunta e em parceria.

Por vezes, vemos o outro como um espelho, e os detalhes que queremos transformar e que nos incomodam no nosso parceiro são questões muito nossas que podem estar reprimidas ou não resolvidas. Inicialmente dá-se uma fascinação pelos aspetos que o próprio não possui e uma atração pela diferença que parece colmatar a falta. Contudo, pode-se começar a sentir que essa diferença é demasiado grande, ao ponto de evidenciar as nossas próprias falhas, que acabam por se refletir na relação de casal e até na crítica constante do outro, para evitar a critica ao próprio. Neste sentido, será mais importante utilizar a energia despendida em mudar o outro, para observar mais o próprio e assim conectar-se com as suas necessidades mais íntimas e ocultas. Após esta descoberta e aceitação do self, pode-se então passar à comunicação genuína e respeitosa com o parceiro, de forma a expressar as suas emoções e necessidades, sem crítica, com valorização e acima de tudo, com amor!

2017-04-01T13:40:06+00:00 Janeiro 6th, 2014|Relações, Terapia conjugal, Vários autores|