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Quem é que já se esqueceu como é ser adolescente?

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Maria João Matos

Maria João Matos

Quem ainda recorda a fase da adolescência, sabe o quanto é dificil e desconfortável ouvir um adulto a brincar com os seus sentimentos. A tecer comentários sobre o seu aspeto físico, ou a perguntar se já tem namorado? Algumas destas situações surgem junto de amigos ou colegas dos pais, o que ainda torna a situação mais complicada de gerir. Para os adultos estas situações são frequentes e muitas vezes não passam de jogos de conversas que consideram normais. Para os adolescentes não! Provocam sentimentos de desvalorização e desqualificação, interferindo na sua auto-estima. Muitas vezes não há namorado mas, um desejo enorme de o ter, e vivem com alguns receios de não o conseguir. A angústia da possibilidade de “troça” por parte dos adultos, provoca ainda mais medos e desconforto nesta situação, não ter um namorado. Julga-se assim, incompetente, uma vez que não consegue aproximar-se de ninguém.

Se em idades mais precoces ter um namorado, pode ser considerado uma questão de estatuto, mostrando a todos que tem alguém, aproximando-se do mundo adulto, à medida que vai crescendo a necessidade de ser amado e de amar torna-se muito importante e esta procura uma constante nas suas vidas. Mas, quando por alguma razão não se consegue, as estratégias para lidar com esta situação podem variar, umas mais saudáveis que outras. Alguns jovens ficam deprimidos, desinvestem em todas as àreas, sentem-se muito infelizes, alguns procuram situações de risco, outros procuram realidades virtuais onde se sentem mais seguros, outros tentam a aproximação junto de outros jovens reconhecidos como mais competentes na capacidade de estabelecer relações com elementos de outro sexo. Apesar desta situação os deixar desconfortáveis e muitas vezes nem se identificarem com este tipo de jovens, esperam que esta situação lhes permita conhecer novas pessoas e tendo em conta o sucesso dos companheiros a possibilidade de conseguir o grande objetivo, um namorado!

Não existe uma idade para namorar, cada adolescente percebe quando sente essa necessidade.

Os pais muitas vezes aconselham os filhos a deixar essa situação para depois “…quando entrares na universidade…” “… quando acabares o teu curso, pensas nisso…”, com receio que haja um prejuízo no rendimento escolar, no entanto, estas relações são importantes para o bem estar emocional dos seus filhos. Algumas vezes, adolescentes optam por recusar estas aproximações de afeto, negando a necessidade que já sentem em amar e de se sentirem amados, e normalmente esta situação provoca o efeito contrário que os pais tanto temem… A desmotivação, dificuldades em estar concentrado, resultados escolares mais baixos, ou seja, o oposto do que os pais tanto desejavam. Promover a autonomia, o crescimento e o bem estar dos filhos, é também permitir que surjam namorados e relações de afeto nesta etapa, estar com eles em momentos mais difíceis das relações sem invadir a sua intimidade e se estas relações terminarem, compreendam verdadeiramente o seu sofrimento sem desvalorização e comentários que lhe provoquem angústia e medos em continuar. São experiências essenciais para a construção futura de relações íntimas.

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