Quem gosta mais da criança?

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Gustavo Pedrosa

Gustavo Pedrosa

O aumento da família tende a trazer tanto de bom para o casal como pode criar muitas situações de desconforto e acusação. Mas afinal, quem gosta mais da criança?

Da mesma forma que não há duas pessoas iguais, não existem dois casais iguais. E um filho cria reacções tão diferentes em cada casal que facilmente se criam conflitos por não se cumprirem as expectativas do que seria “a norma”.

Na gravidez, especialmente no início do “estado de graça”, o casal tende a criar uma relação mais próxima e colaborante. A felicidade é partilhada e a motivação tende a ser equitativamente distribuída. Mas com o passar do tempo, além do desconforto físico da mulher mais persistente, começam a surgir novos desafios – a (in)formação sobre a gravidez e nascimento, as consultas, as compras de roupas e mobiliário, a reorganização espacial da casa. Nesta fase, as expectativas nem sempre são cumpridas e as exigências começam a aumentar. Perante uma motivação menos visível ou um desinteresse em determinadas áreas, pode haver troca de acusações sobre o empenho enquanto pais.

Mas afinal, quem gosta mais da criança?

Nestas situações é importante haver partilha, compreensão, empatia e uma comunicação assertiva relativamente ao desconforto causado por esse afastamento ou, pelo contrário, pelo excessivo envolvimento em tudo o que se relaciona com o bebé. As expectativas devem fazer parte dessa partilha, pois tendem a “minar” o bem-estar do casal e a sua comunicação. É também importante terem atenção às comparações com outros casais, sejam familiares, amigos ou simplesmente pessoas com as quais se cruzam.

Como referimos no início, “cada pessoa é uma pessoa”. Como tal, há diferentes formas de expressar o contentamento, alegria, apreensão, preocupação, desconforto, receios, etc.

A mãe e o pai passam, naturalmente, por períodos de receio. Seja por temerem não estar preparados, seja por pensarem que não estão à altura das exigências e cuidados necessários, seja por não saberem tudo o que envolve o bem-estar e saúde da criança, seja com medo de nunca mais conseguirem dormir descansados… Seja por que razão for, é natural que existam esses receios e que os mesmos acompanhem, de mão dada, a alegria e satisfação da vinda de um filho.

As acusações de despreocupação, desmotivação ou de desinteresse podem resultar num (ainda) maior afastamento das tarefas ou isolamento do cônjuge. Deve haver o movimento contrário, com a partilha de tudo o que há de bom e de menos bom, de receios e convicções, de expectativas e motivações. Deve ser, tal como o parto, um processo mútuo, de interajuda, empatia e de cuidado com o outro.

Será sempre mais fácil acusar o cônjuge perante a nossa própria crescente e os nossos próprios receios. Por isso mesmo, exijam-se que consigam fazer o que é menos fácil. Verão que, até mesmo relativamente a tudo o que envolverá o vosso filho, as tarefas e os momentos de prazer serão duplicados!

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