Releia lá com outros olhos o que andou a publicar…

Publicações nas redes sociais

As redes sociais alteraram tudo nos tempos mais recentes: formas de sociabilidade, noções de autoestima, abrangência de informação, facilidade de expressão social,… Não tem fim a lista de alterações profundas, sociais, psicológicas e até organizacionais que a disponibilidade e uso alargado das redes sociais.

 

E, no seu uso, criam um repositório estonteante de informação, porque aquilo que cada um publica e a forma como reage é passível de ser estudado, colocado em estatísticas de tendências e avaliado em relação aos diversos significados que possam ter interesse nos mais variados âmbitos.

 

Surgiu recentemente um estudo da Universidade do Iowa, sobre satisfação subjectiva de vida – felicidade – e como pode ser identificada pela forma como as pessoas se vão expressando nas redes sociais (neste caso, e por ser EUA, no Twitter). Ao longo de dois anos e abrangendo 3 biliões de tweets, os investigadores andaram a tentar perceber como é que as pessoas se sentiam em relação às suas vidas e chegaram à conclusão que a felicidade de longo prazo (por oposto a “como me sinto neste momento”) e satisfação com a vida é razoavelmente independente de factores externos gerais, como eleições, catástrofes noutros países, resultados desportivos, etc.

 

Bem e o que distinguia a actividade online de pessoas satisfeitas com a vida das pessoas insatisfeitas?

Os utilizadores mais felizes expressam mais emoções positivas – sobretudo relacionadas com saúde e sexualidade – e usam mais palavras relacionadas com dinheiro e religião. Permanecem mais tempo como utilizadores activos, usam mais pontos de exclamação e incluem menos URLs nas suas publicações.

 

Os utilizadores mais insatisfeitos com a vida têm tendência a usar mais pronomes pessoais e conjunções, e expressarem mais emoções negativas como zanga ou tristeza. Também usam mais palavras que colocam a ênfase numa expectativa futura (como “deveria”, “seria”, “espero” “preciso”) e mais palavras de natureza sexual usadas num contexto negativo, e mais palavras relacionadas com morte, depressão e ansiedade.

 

Como nos sentimos expressa-se em todas as áreas do nosso funcionamento, incluindo a nossa presença online. Por isso, talvez queira reler as suas últimas partilhas nas redes sociais, com um novo olhar, que lhe permita apurar o que diz do seu bem-estar e nível de felicidade geral.

 

Refª: Chao Yang, Padmini Srinivasan. Life Satisfaction and the Pursuit of Happiness on TwitterPLOS ONE, 2016; 11 (3): e0150881 DOI:10.1371/journal.pone.0150881

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-03-05T18:36:31+00:00 Maio 31st, 2016|Felicidade, Madalena Lobo|