Sabia que a preocupação excessiva tem problemas nas relações?

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Isabel Policarpo

Isabel Policarpo

A preocupação é a resposta normal quando se enfrenta uma situação cujo desfecho é imprevisível e potencialmente negativo. Todas as pessoas confrontam-se de onde em onde com algum nível de preocupação, o que sucede é que alguns de nós preocupam-se mais com o que os rodeia.

De um modo geral, as pessoas não pensam que a preocupação possa ser o sinal de que algo não está bem, na nossa sociedade a preocupação é inclusive entendida como um sinónimo de maturidade e responsabilidade, pelo que é habitualmente desvalorizada.

Hoje contudo sabe-se que a preocupação excessiva – designada de perturbação de ansiedade generalizada, pode ter um impacto tão importante como a depressão major, em virtude de interferir com diferentes áreas da nossa vida – profissional, familiar ou pessoal.

Considera-se que a preocupação é excessiva, quando é incontrolável, irracional e desproporcional face às situações que a desencadeiam. A preocupação excessiva caracteriza-se ainda pela incapacidade de parar de pensar, pela dificuldade de esvaziar a cabeça.

O carácter intrusivo e obsessivo da preocupação, faz com que a ansiedade generalizada, tenha consequências nefastas no dia-a-dia da pessoa e na sua sensação de bem-estar e de qualidade de vida. Estudos recentes vieram também demonstrar que a preocupação excessiva pode ter um impacto extremamente negativo nas relações interpessoais, transformando relações interpessoais saudáveis, em relações pouco construtivas, doentias e desagradáveis.

As pessoas que sofrem de perturbação de ansiedade generalizada põem frequentemente as relações com a família, amigos e colegas de trabalho no topo da lista das suas preocupações, mas a forma que utilizam para lidar com as mesmas pode ser extraordinariamente destrutiva.

Dois estudos independentes identificaram 4 estilos interactivos dominantes na forma como as pessoas com perturbação de ansiedade generalizada manifestam as suas preocupações com os outros – o intrusivo, o frio, o não assertivo e o explorável.

Os diferentes estilos de interacção não parecem estar relacionados com a severidade de ansiedade, pelo que não é o nível de ansiedade que dita o estilo de interacção social, mas antes factores como a personalidade e o estilo de coping entre outros, que influenciam a forma como a pessoa se relaciona com os outros.

Nos diversos estilos de interacção as pessoas preocupam-se de igual modo e com mesma frequência e intensidade, mas manifestam as suas preocupações de formas distintas.

Assim por exemplo duas pessoas com preocupações similares acerca da saúde e segurança dos seus familiares, uma das quais se enquadra por exemplo no estilo” intrusivo”, pode manifestar a sua preocupação através do uso frequente de expressões intrusivas no que respeita à outra pessoa. É o caso do pai ou da esposa que de 5 em 5 minutos telefona para saber como está tudo a correr.

Enquanto por exemplo, uma pessoa com um estilo de interacção “frio”, pode manifestar a sua preocupação criticando ou punindo o familiar por comportamentos que considera pouco cuidadosos e/ou demasiado despreocupados.

Teorias recentes acerca da ansiedade generalizada enfatizaram que o funcionamento interpessoal e da personalidade é um aspecto relevante desta perturbação, pelo que qualquer intervenção vocacionada para esta perturbação deverá ter igualmente em atenção o domínio das relações interpessoais, dado que nenhum dos estilos habitualmente usados permite criar relações positivas e satisfatórias para ambos os lados.

 

A preocupação é a mesma, mas manifesta-se de formas diferentes e tem no outro um impacto distinto, mas em qualquer t a preocupação nas relações interpessoais é extremamente diferente, sendo contudo extremamente negativo em ambas as situações

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