Se eu não gostar de mim, quem gostará?

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Cláudia Sintra Vieira

Cláudia Sintra Vieira

Já pensou que muitas vezes abdica de cuidar de si para dar atenção aos outros?

Já reparou que são várias as alturas em que se coloca em segundo plano?

De facto, acreditamos que os outros precisam sempre de ser cuidados, protegidos, amados e acarinhados.

Mas, e você, onde fica no meio disto tudo?

Cada vez mais devemos dar importância à relação que temos connosco, pois ajuda-nos a viver melhor com as nossas emoções e experiências, mas também porque só assim conseguiremos dar a melhor resposta possível ao sofrimento do outro. Surge então aquilo a que chamamos auto compaixão, ou seja, estar aberto ao nosso próprio sofrimento, experienciando sentimentos de cuidado, calor e compreensão connosco, numa atitude de observação curiosa, de não julgamento em relação aos nossos erros e inadequações. Esta atitude envolve também a capacidade de reconhecer que as experiências por que passamos são, em algum momento da vida, vivenciadas por todos, isto é, no fundo todos nós experienciamos sofrimento, alegria, medo, , mesmo que seja difícil aceitá-lo ou perspetivá-lo quando estamos focados em nós mesmos.

A auto compaixão implica um estado da mente aberto, recetivo e não avaliativo, em que observamos os nossos pensamentos e sentimentos tal como surgem na nossa mente, sem tentar alterá-los, eliminá-los ou evitá-los, ou seja, uma atitude mindfulness perante as nossas experiências.

Tendo em conta estes aspetos, investigações recentes referem que cuidarmos melhor de nós permite-nos estabelecer relações positivas com os outros, ter maior qualidade e satisfação com a vida, e lidarmos melhor com o impacto que certos acontecimentos negativos têm em nós, como experiências de fracasso, vergonha, rejeição, crítica, entre outros. Ao apresentarmos esta atitude teremos também menor probabilidade de desenvolver determinadas dificuldades psicológicas como a , ansiedade, ruminação, autocriticismo. Estes dados indicam que, ao cuidarmos de nós próprios de forma calorosa, somos menos autocríticos e fazemos avaliações mais realistas e adequadas dos nossos desempenhos, levando a que as nossas autoavaliações não dependam tanto da qualidade ou quantidade dos resultados alcançados, mas da forma como lidamos de modo positivo connosco.

Assim, apresentar uma verdadeira atitude autocompassiva encoraja-nos a mudar de forma calorosa, tolerante e compreensiva quando necessário, implica desejar bem-estar a nós mesmos, mas também a ajustar/corrigir comportamentos desadequados e dolorosos. Esta capacidade de olharmos para a nossa experiência como parte do ser humano protege-nos do egocentrismo dos nossos problemas, permitindo-nos lidar melhor com o sofrimento e manter a ligação aos outros e a nós próprios.

Esta é a sua vida – valorize-se e permita-se estar consigo de uma forma calorosa, tolerante e compreensiva – aprenda a vivê-la positivamente! Todos nós precisamos de ser cuidados, e quem melhor para cuidar de nós senão nós mesmos?

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