Será que temos “vozes” na cabeça?

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Fabiana Andrade

Fabiana Andrade

Este artigo é sobre a interiorização de lixo!

Sim, nós interiorizamos lixo, e como isso acontece?

Quando nascemos e somos bebés, depois crianças, muitas informações são passadas do mundo para nós.

Informações objetivas, como o nosso nome, o nosso género, a nossa nacionalidade, quem são nossos pais, avós, irmãos etc etc etc

Outras informações subjetivas como valores, ideias, opiniões, também são igualmente transmitidas.

Muitas dessas informações são saudáveis e adaptativas, como por exemplo, “o fogo queima”. Outras são apenas “bagagem” dos outros e prendem-se com opiniões, valores, visões de mundo de outras pessoas, e nem sempre são saudáveis e/ou adaptativas.

Quando somos pequenos não questionamos essas informações, interiorizamos tudo como sendo verdade.

E é aqui que começa o acumular de lixo!

Há uma boa parte de informação que é nociva para o nosso bem- estar. Imagine que a criança ouviu coisas do género:

– a tua opinião não conta

– és parvo

– és feia

– és gorda

– não vales nada

– o teu primo é bem mais inteligente que tu

– ser bom não basta

Esse lixo, vindo de adultos bem-intencionados ou de pares admirados, que são muitas vezes figuras significativas para a criança, transforma-se numa voz clara “dentro da cabeça” da pessoa e ela passa a identificar-se com essa voz, acreditando que essas são as suas próprias opiniões.

Quando o cliente chega ao consultório dizendo coisas negativas sobre si mesmo, eu começo a identificar o grau de agressividade da “voz crítica” interiorizada e a avaliar as consequências dessa mesma voz na vida diária do cliente. Normalmente são muitas e nada boas.

Falta de auto estima, de auto confiança, de auto cuidado, de auto gratificação, decisões tomadas pelos piores motivos e por isso, com piores resultados, medos, e , são as mais comuns.

Essa voz crítica interiorizada não é a nossa voz essencial. Essa é amorosa e aceitante e tem sempre como objetivo o bem- estar da própria pessoa.

Quando eu tenho um mal resultado por exemplo, posso dizer a mim mesma, “ok, este resultado não foi bom, o que aprendi com isso? Como vou usar essa experiencia a meu favor?”. Quando digo isso não estou a confundir-me com o mau resultado e permito-me crescer com as minhas experiências, utilizando-as todas a meu favor.

Quando perante um mau resultado eu digo a mim mesma, “realmente, és uma porcaria! Não fazes nada bem, vais continuar sempre assim!”, estou a destruir-me, ao mesmo tempo que limito as minhas hipóteses de crescer, aprender com os erros, diminuindo a minha energia, a minha auto estima, a minha auto confiança.

Surge então o seguinte ciclo negativo:

Crença errada sobre si mesmo (todas as constatações negativas interiorizadas sobre mim) – tendência a confirmar a crença – decisões erradas – piores resultados – confirmação da crença – diminuição da energia, auto estima e auto confiança – aumento da ansiedade e depressão- volta a crença errada sobre si mesmo.

Neste ciclo, cada vez a crença negativa fica mais forte e a pessoa cada vez se sente mais insegura, ansiosa e deprimida.

Pense bem em todas as afirmações negativas que faz sobre si mesmo, mesmo que só as faça em pensamento.

Agora olhe para elas e mesmo que durante a sua vida toda tenha acreditado que era você mesmo a pensar, questione se essa “voz crítica” é mesmo sua. Se ela lhe ajuda de alguma forma ou só serve para complicar a sua vida, tornando tudo mais duro e difícil.

Venha ter connosco e livre-se desse lixo!

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