Estratégias individuais para lidar com preocupações…
Respirar as preocupações
Autoria: Irina António
Quando tomo consciência que me estou a sentir invadida por pensamentos ruminativos, a primeira coisa que faço é focar a atenção no meu corpo. Tento identificar que parte do corpo está tensa e começar a respirar por esta parte do meu corpo, como se a tal parte trocasse de papel com os pulmões (ex: se sentir as mãos a transpirar – tento respirar pelas mãos; se sentir um nó na garganta, respiro pela pele e pelos músculos da garganta; se sentir umas borboletas na barriga – então, ponho as borboletas a respirar). Ou seja, em vez de continuar com a energia estagnada nos pensamentos, canalizo-a para a respiração. Não luto, não hesito, simplesmente reparo no que estou a sentir no momento da invasão dos pensamentos e continuo a respirar.
Depois de entrar em contacto com o corpo, habitualmente faço a mim própria algumas perguntas do género: “para quê necessito pensar tanto neste momento?” “o que estes pensamentos dizem de mim no momento presente da minha vida?” “ O que necessito de fazer?”, etc.
As preocupações são como o peixe…
Autoria: Madalena Lobo
Pessoalmente, tenho uma relação de cordialidade respeitosa com a preocupação. De quando em vez, ela toca-me à porta, cumprimenta-me educadamente e pede-me para entrar. Como boa anfitriã, eu ofereço-lhe um chá e bolinhos, mas não lhe dou grande conversa, apenas o essencial a que a urbanidade obriga. Ora, como diz o povo, os hóspedes são como o peixe: ao fim de três dias começam a cheirar mal. Por isso, após pouco tempo, se ela insiste em permanecer convido-a a sair.
E como é que decido quando chega o momento em que “cheira mal”? Bem, é simples… As emoções assinalam aspectos da nossa vida, pelo que ignorar uma preocupação que se insinua na minha vida, poderia equivaler a perder informação preciosa sobre o que se estava a passar em meu redor. Por isso mesmo, lhe permito a estadia. No entanto, a preocupação não se esgota em si mesmo, tal como as emoções em geral. Serve para algo; neste caso para me chamar a atenção para um qualquer aspecto que deva ser considerado e, eventualmente, resolvido. Por isso mesmo, após pouco tempo, enfrento o tema que me está a gerar preocupação e pergunto a mim própria: “Há alguma coisa que eu possa fazer para resolver este tema?”. Se há, resolvo; se não há, convido, educadamente, a preocupação a sair da minha sala. Assim mesmo! Sem pensar duas vezes! Não tenho espaço para inutilidades…
A minha relação com as preocupações
Autoria: Hugo Santos
Vivo debaixo do mesmo tecto com a Preocupação há 34 anos e posso dizer que temos uma boa relação, feita com altos e baixos, claro.
Nos bons dias damo-nos cordialmente: dialogamos e deambulamos por diversos temas e assuntos, passeamos juntos por caminhos familiares ou por novos percursos, e rimo-nos em conjunto. Devo confessar que muitas vezes ela ajuda-me a antecipar e a organizar a casa, sobretudo naqueles dias em que o que me apetece mais é mesmo simplesmente estar no sofá.
Mas há dias em que as coisas correm mal e não nos entendemos. Umas vezes por culpa minha pois por mais que ela me alerte, eu não lhe ligo nenhuma. Depois sofro as consequências, obviamente, e ainda tenho que a ouvir a dizer “Vês, eu tinha razão. Não me dás ouvidos e depois é isto. Parece que não aprendes”. Outros dias ela não me larga mesmo e está sempre ali, a dizer “blá, blá, blá”, e sem razão nenhuma.
Nesses momentos eu tento encher-me de paciência e dizer-lhe: “Calma. Eu compreendo que só estás a pensar no melhor para mim, mas relaxa, descontrai. Vai correr tudo bem. Também é importante conseguirmos estar os dois tranquilos”. Na verdade, mesmo que andemos por vezes às turras, acho que formamos um bom par e aproveitamos bem a vida.
Ondas de preocupação
Autoria: Inês Alexandre
Para combater a preocupação, utilizo para mim mesma a imagem da onda: às vezes é pequena, outras vezes grande; às vezes passa por mim sem consequências, outras vezes enrola-me. Mas, de todas as vezes, ela vem, e vai. Essa certeza tranquiliza-me, e deixa-me disponível para arranjar estratégias para não me deixar enrolar.
Primeiro observo-me: como está o meu corpo? Demasiado rígido? Demasiado permeável? Estão os pés demasiado enterrados na areia? E a seguir tomo uma decisão sobre a minha reacção, mesmo que venha a constatar que não foi a melhor. No momento em que tomo decisões a onda fica imediatamente mais pequena. A decisão da estratégia a adoptar pode passar por:
Furar a onda antes que ela rebente. O que me obriga a analisar os meus limites – até onde quero permitir que a onda suba antes que a fure?
Ser flexível para subir com a onda: a preocupação pode ajudar-me a dar-me energia e a agir. Se estiver demasiado rígida na luta posso mais provavelmente ser derrubada e enrolada. Tento antes pensar: como posso aproveitar esta preocupação?
Surfar a onda e vir com ela até à areia, acompanhá-la no seu percurso. Para isso é necessário saber aproveitá-la no momento exacto. Como é um risco maior, tento utilizar esta estratégia em assuntos em que conheço bem os meus limites e as minhas reacções.
Detector de E.V.N.I- Elemento Visível Não Identificado
Autoria: Inês Mota
Mantenho uma relação de disponibilidade autêntica, simpatia, respeito e compromisso com a Vida em geral.
No percurso do meu viver, esta motivação para a disponibilidade de “Estar” na Vida permitiu-me ser observadora rigorosa de variados detalhes. Noticio a preocupação quando o meu corpo se estranha, sinalizando um Elemento Visível Não Identificado (E.V.N.I), através de respostas fisiológicas variadas. Gosto de ser simpática e de me relacionar e então aproveito o momento para escutar a voz desse elemento, que no decurso do diálogo se torna em (E.V.I), Elemento Visível Identificado.
Respeitando naturalmente a sua notificação, inclino-me perante a sua demanda. Cordialmente interagimos, de forma leve e humorada e flexibilizamos as exigências mútuas, estabelecendo um compromisso de agrado para ambos.
Hoje é domingo, assumi arrumar a casa das Ideias. Marquei encontro com o E.V.I-2, num jardim de paisagem amena e de envolvência tranquilizante, onde parece que poderei encontrar a peça em falta do puzzle da solução!
Que tipo de preocupação?
Autoria: Joana Florindo
Sei que algumas vezes, mesmo antes de perceber conscientemente que algo me preocupa, o meu corpo já o sente. Sempre que me apercebo que estou tensa, desconfortável, ansiosa e irrequieta como se estivesse com “bichos-carpinteiros”, e que uma intensa pressão incide sobre os meus ombros, é sinal de alerta – Estou preocupada com alguma coisa.
Aprendi com o tempo que uma boa forma de contrariar este mal-estar é investigar a minha preocupação e verificar se me encontro perante uma “Preocupação Benéfica”, de chamada de atenção para a realização de tarefas e resolução de problemas, ou perante uma “Preocupação Mal-intencionada”, sobre a qual nada posso fazer, e que só me consome tempo e recursos.
Assim, muito armada em detective costumo questionar-me: “O que me está preocupar?”; “O que é que já fiz para resolver este assunto?”; “Que mais posso fazer?”. Se estiver a lidar com uma “Preocupação Benéfica”, acciono os recursos necessários e implico-me na resolução do desafio, mas se tiver perante uma “Preocupação mal-intencionada”, procuro desligar-me dela, e dedicar-me a actividades que me dêem prazer, como pintar, ler um livro ou fazer desporto.
O método da bola de sabão
Autoria: Ana Crespim
Quando estou preocupada com alguma coisa e essa preocupação desperta em mim sentimentos de ansiedade, imagino uma bola de sabão, onde vou colando todos as emoções negativas associadas àquele assunto.
À medida que o vou fazendo, vejo mentalmente a bola a aumentar de tamanho até que, quando coloco a última, imagino que ela rebenta, desaparecendo com as minhas preocupações. Depois, respiro fundo durante alguns segundos e penso que tenho muitos mais aspectos positivos na minha vida do que preocupações.
Seja feliz!
As preocupações e as avestruzes…
Autoria: Isabel Policarpo
Quando sou invadida por uma preocupação, ocorre-me sempre a estratégia da avestruz – e que tal fingir que não dei por nada ? Se estiver aqui muito quietinha, com um pouco de sorte pode ser que a preocupação se esqueça de mim. Se “estiver bem comportada” a preocupação vai perceber que não é justo estar a meter-se comigo.
Inúmeras vezes tentei esta abordagem, mas posso garantir que não compensa. Se é verdade que às vezes estamos preocupados sem que haja razão para tal , em muitas outros momentos a preocupação indica-nos que há algo que requer a nossa atenção, pelo que ignorar esse sinal só pode ser contraproducente .
Já reparou que habitualmente os problemas e as dificuldades, quando aparecem, têm uma dimensão pequena e surgem isolados? Não será mesmo quando lhes viramos as costas, que eles se enredam e atingem proporções assustadoras?
Preocupações? Quem?…Eu???
Autoria: Nuno Mendes Duarte
Preocupações? Quem…eu? Não! Não tenho nenhumas preocupações. Isso de ter preocupações é para quem não tem nada que fazer. Eu tenho sempre muito com que me ocupar. Acordo já estou a pensar o que vou fazer a seguir, tomo o pequeno-almoço e já sei onde vou almoçar (até já escolhi o que comer). Lembrei-me agora do Jorge Palma “Domingo já sabe o que vai dizer… Segunda-feira”, por falar nisso tenho de comprar bilhetes para o espectáculo que a minha mulher quer ver. Ah! Não renovei o passe… vou mesmo ter de comprar bilhetes mas é para o metro. Bolas, já deixei o carro na garagem há duas semanas e eles nunca mais dizem nada. Estão-se a abotoar com outro cliente mais amiguinho e eu bem me tramo. Quem também me tramou foi o Lucas da contabilidade, este mês já me queimou dois dias inteiros e o patrão acreditou no tipo… Que sovina, uma semana em Punta Cana com facturas de representação. Eu nem férias tirei, e o Lucas come-me dois dias de salário! E ainda reclama que foi um erro informático. Por falar nisso, tenho de instalar no computador o anti-vírus novo que o puto já conseguiu tramar aquela treta toda outra vez. Mas, é como lhe digo amigo, não tenho cá preocupações!
Este texto fictício pretende mostrar-lhe o que muita gente diz sobre as preocupações (dado que normalmente não se apercebem de como isso as retira de apreciar o momento presente).
Eu sei que todos temos preocupações, é natural. A minha estratégia é dar 20 minutos por dia aos meus pensamentos mais intrusivos. Escrever em catadupa enquanto penso. Porque penso muito e páro pouco, não costumo dar muito crédito aos pensamentos enquanto eles estão a bailar na minha cabeça. Verifico se são para rir ou levar a sério (nunca demais!). Enfrento as minhas preocupações com o meu bisturi racional e disseco-as. Tento perceber se algo está dentro do meu controlo e se o posso mudar. E mudo o que posso. Quando não posso mudar, sei que tudo é como deveria ser, e assim é!
Preocupações: não posso viver com elas nem sem elas
Autoria: Catarina Mexia
Preocupações, não posso viver com elas nem sem elas!!!
Com elas, fico tensa, rabugenta, “bicho do mato”. Chegam de mansinho, insinuam-se e quando dou por isso o corpo está tenso, a mente ocupada por pensamentos que persistem sem que tal resulte num trabalho proveitoso….Afinal igual a muitas pessoas. Mas não gosto!
Um passeio pela praia, um duche bem quente para descontrair onde me concentro exactamente naquilo que me está a acontecer naquele preciso momento esvaziando a minha mente, e a companhia dos meus animais trazem-me a paz e o relaxamento necessários para uma noite descansada. Antes mesmo de adormecer um bom livro! No dia seguinte….. preocupações passaram a soluções, e aquelas que ainda não o são estão a caminho.












