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Socorro, temos exames! (Versão pais/professores)

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Helena Almeida

Helena Almeida

Entre as preocupações enumeradas aparece a famosa “branca” no início do teste, um sintoma típico de ansiedade que se manifesta nesse momento chave mas não se circunscreve a essa altura, estando presente antes, durante e após a prova, e influenciando de forma determinante o desempenho do aluno. A recusa ou evitamento dos trabalhos escolares e do estudo, que dizemos ser sinónimo de desinteresse ou desmotivação, é um dos sinais de alerta, bem como as dificuldades em resolver os TPC de forma autónoma ou em manter a atenção durante as aulas ou o estudo.

Trata-se de ansiedade de desempenho – uma perturbação que corresponde à vivência de ansiedade associada a momentos de avaliação e que se expressa pela sintomatologia típica, com manifestações somáticas (dores de cabeça ou barriga, palpitações…), motoras (irrequietude, tensão muscular, tremores), cognitivas (inquietude, distração…) e afetivas (irritabilidade, pânico). O que a diferencia é o seu foco: os momentos de avaliação.

A sua causa é existirem exames e testes? Não, de todo. A existência de momentos de avaliação está longe de ser o motivo. Quando dizemos “anda nervoso por causa dos exames…”, podemos estar a resumir de forma um tanto abusiva e até a desvalorizar o desconforto vivido pelos nossos jovens.

Os últimos anos têm trazido muitas mudanças ao panorama escolar no País: alterações nos currículos, novas formas de ensinar e de aprender os diversos conteúdos, mudanças na forma como se avalia alunos e professores, e tantas outras modificações. Tudo isto constitui um desafio para alunos, professores e pais, obrigando-os a reinventar as formas como estão nos seus respetivos papéis, de que decorrem ansiedades várias.

Se as provas de aferição já eram sentidas por muitos como “um bicho de sete cabeças”, a recente promoção destas a EXAME traz um peso acrescido. Vejamos: os professores sentem-se “postos à prova”, na medida em que são responsáveis por garantir o sucesso dos seus alunos, e em que, mesmo que ninguém o diga, está cada vez mais de mão dada com a sua própria avaliação por parte dos pares e da opinião pública. Os pais preocupam-se com as implicações do sucesso nas várias etapas do percurso académico dos filhos no futuro destes. Para as crianças e jovens o exame significa não só uma aprovação no ano escolar ou a entrada na faculdade como também uma necessidade de estarem à altura das expectativas dos pais e dos professores.

O que fazem então estes três grupos?

Os adultos, pais e professores, começam por assegurar que “é uma ficha como as outras”, “dão o vosso melhor como sempre”, “é mais fácil que os testes”, etc. Mas depois, na escola, fazem-se treinos específicos, simula-se a situação de exame, recorre-se aos exames dos anos anteriores. Em casa, lembra-se que este ano é “mais sério”, que tem “de estudar mais”… De vez em quando, até foge o discurso para “quero ver como vai ser no exame!”, “olha que no exame ninguém ajuda”…

E os jovens estudantes? O que será que pensam e sentem?

Para começar sentem que afinal não se trata de “mais uma ficha”. Sentem o peso e as expectativas que os adultos nela colocam. E quantas vezes essas expectativas não são expressas pela negativa? “Assim não vais lá”, “Não estou a ver esse estudo a dar a bom porto”… O resultado? – Jovens estudantes ansiosos, com prejuízo para o seu sucesso escolar.

Deixo algumas dicas:

Cuidado com as contradições. Desdramatizar verbalmente uma situação de exame ao mesmo tempo que exacerbamos a sua importância com treinos específicos é o tipo de contradição que reforça a ansiedade dos estudantes. Porque não adaptar as fichas e testes regulares a um modelo mais próximo do exame que vai ter lugar? Porque não apresentar e discutir com os alunos os critérios de avaliação dos exames?

Regule a sua própria ansiedade. Faça uma reflexão cuidada em torno da forma como a sua ansiedade poderá estar a ser transmitida e procure encontrar formas de a corrigir antecipando as situações que normalmente funcionam como “gatilho”.

Invista no reforço positivo. Em vez de alertar para a necessidade de estudar mais, estar com mais atenção, esforçar-se mais, o que acaba por passar ao estudante a mensagem de que nada que faça é suficiente, elogie os pequenos esforços e conquistas. Mostre que acredita nas suas capacidades.

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