Televisão: amas de substituição?

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Rita Castanheira Alves

Rita Castanheira Alves

A Televisão: uma ama electrónica que segura mas não educa

Quantas vezes chegamos a casa e o que fazemos em primeiro lugar é ligar a televisão?

Quantas vezes dá por si em casa com a televisão ligada na sala e a tratar de qualquer outro assunto noutra divisão da casa?

Quantas vezes está a ler uma revista ou um livro ou até mesmo a ver os seus emails e tem a televisão ligada?

Provavelmente já lhe aconteceu mais do que uma destas situações mais do que uma vez.

Agora passemos ao seu filho: já deu por si a falar com ele enquanto estão a ver um programa, desenhos animados ou um filme na televisão e ele não lhe responder? Não que não lhe queiram responder mas mesmo porque não estão realmente a ouvir? Já aconteceu?

Certamente que sim. Trata-se de uma ama electrónica, de facto os seus filhos poderão ficar sossegados e fica com tempo para organizar a casa, fazer o jantar ou ler ou ouvir música ou até telefonar aquela amiga com quem não fala há tanto tempo. O seu filho ali ficará, de pernas cruzadas, encostado no sofá, de boca semiaberta, olhos muito abertos, quase viajando para dentro do programa que está a ver. No entanto, esta ama não é de todos os pontos de vista uma grande educadora. De facto, os estudos sobre o tema demonstram que as crianças quando estão a ver televisão ouvem menos palavras e falam menos do que quando não estão a ver televisão, o que parece estar relacionado e contribuir para atrasos no desenvolvimento da linguagem, atrasos a nível cognitivo e défice de atenção. Ainda há um grande caminho na investigação nesta área, mas de facto observa-se que com a televisão ligada, estando a ver ou não, os adultos falam menos e isso também pode interferir no desenvolvimento da criança.

Perante estes dados e a sua própria observação do que acontece com o seu filho quando está a ver televisão é importante lidar com esta ama electrónica não permitindo que a mesma seja prejudicial. É importante que até aos 2 anos de idade evite que o seu filho veja televisão, sendo mais importante para o seu desenvolvimento atividades que estimulem a sua linguagem e o desenvolvimento cerebral, como falar, jogar, ouvir uma história, cantar e ouvir músicas. Depois dos 2 anos prefira os programas voltados para o universo infantil, tendo o cuidado de conhecer primeiro os programas, podendo até acompanhar o seu filho nos momentos de televisão, para perceber o impacto de cada programa e de cada história e conversar com ele sobre isso. Paralelamente, estabeleça desde início um limite de horas de televisão por dia, no máximo duas horas, se for possível até menos, evitando ligar a televisão à hora das refeições, momentos em que a comunicação e o diálogo entre os elementos da família pode ser cultivado. Procure sempre desenvolver atividades ou dar alternativas interessantes para o seu filho fazer, assim será mais fácil pôr a televisão em segundo plano e faça com que no quarto do seu filho não exista televisão, sendo um espaço agradável e onde ele poderá desenvolver outro tipo de atividades num universo de brincadeiras só dele, onde a imaginação não tem limites.

E lembre-se, a televisão é um instrumento, dependendo da forma como é usada, pode ter uma função vantajosa e um papel importante ou ser um malefício para o seu filho.  Facilmente é cómoda, ajuda a entreter o seu filho, mas não perca de vista o seu desenvolvimento e como este pode ser feito da melhor forma, com a sua preciosa colaboração!

 

E já agora, onde está ele? A ver televisão?

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