Trauma recente e stress agudo

Trauma recente e stress agudoAs estimativas recentes apontam para 5 a 6 pessoas em cada 10 a serem confrontadas com pelo menos uma situação traumática ao longo da vida. Por isso, se pensa que “trauma” é algo que não lhe diz respeito, pense melhor: as situações traumáticas, para nós próprios e para aqueles que nos rodeiam, têm uma probabilidade significativa e não estão sob o nosso controlo.

Quando se fala em trauma, de uma forma simplificada, estamos a falar da reacção a situações terríveis, normalmente que ameaçam a integridade física e/ou, por vezes, a integridade psicológica, do próprio ou de quem conhecemos ou observamos. Os exemplos são muitos: acidentes de viação, acidentes graves de trabalho, incêndios, violação, assaltos, tremores de terra… E a nossa forma habitual de sentir, pensar e nos comportarmos é, de uma forma geral, afectada logo após a ocorrência de um acontecimento traumático.

Em termos de intervenção psicológica convém considerar três blocos temporais: logo no imediato, de 3 dias até 1 mês após o acontecimento, e depois de um mês.

Será difícil que logo após, as reacções de qualquer pessoa não sejam diferentes: estamos mobilizados pela ameaça e está em marcha tudo o que no organismo nos pode preparar para lidar com – ou bloquear – perante um perigo intenso. As reacções de choque, negação e emoção intensa caracterizam este período imediatamente após uma situação traumática e o que melhor dá resposta neste momento são os actos de conforto, empatia, e, muito naturalmente, tudo o que se destine a garantir a segurança da pessoa.

Um mês após o acontecimento traumático, com um início que se pode tornar evidente apenas muitos meses, senão mesmo anos mais tarde, pode surgir, numa percentagem já pequena de pessoas, um conjunto complexo de sintomatologia, designado de perturbação de pós-stress traumático. Trata-se de uma perturbação de elevadíssimo impacto na qualidade de vida, com níveis de sofrimento que requerem toda a atenção dos profissionais de saúde. Mas não é desta situação que lhe quero falar.

Quero falar-lhe do que acontece antes disso – no período de cerca de 1 mês após o trauma, porque a forma como se lida com este mês vulnerabiliza-nos ou protege-nos do aparecimento do pós-stress traumático.

Por isso, preparei-lhe um pequeno vídeo, com a explicação do que é provável que sinta e que lhe aconteça durante este período de tempo, o que deve fazer para reforçar as suas fundações de saúde mental e o que pode fazer se alguém do seu círculo de família, amigos ou colegas de trabalho estiver a passar por uma situação destas.

E isto não é importante apenas porque ter informação é importante. Saber o que se passa connosco numa situação de stress agudo, que tende a passar naturalmente, e saber o que devemos fazer precisamente para que passe com nada mais sério do que o mero desconforto da agitação emocional, é, por si só, 50% da intervenção que se faz nestas situações, em contexto de Psicologia Clínica.

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-06-18T20:12:09+00:00 Junho 18th, 2017|Madalena Lobo, Trauma|

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