Um tempo sem tempo

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Alice: Quanto tempo dura o eterno?

Coelho: Às vezes apenas um segundo!

(in Alice no País das Maravilhas)

Marisa Gamboa

Marisa Gamboa

Nascemos e desejamos desde cedo, que deixemos de ser bébés, para passarmos a crianças com quem se pode interagir e brincar e ralhar e descomplicar. Segue o desejo da entrada na escola. O primeiro dia. E o estudo começa, meio a brincar meio a sério. E depois…a famosa adolescência. Quem dera que este tempo passe depressa porque já não o aturo, já nem lembro bem como eu era, mas não deveria ser assim. Ai, a faculdade, agora mais cuidado…agora segue sozinho. Mais viagens, mais festas, mais amigos, mais festivais, as cumplicidades, os amores, mais livros, que dure, que dure. Talvez o mundo do trabalho seja mais fácil, arriscamos. Duvidas. E segue novo empurrão, para o namoro e/ou para o casamento e filhos?!? Sim, precisamos de netos, precisamos de nos sentir jovens…e depois?

A vida apresenta-se muitas vezes com pouco tempo, ou será, que somos nós que damos pouco tempo à vida?

Para uns, o tempo parece passar muito depressa, para outros o tempo parece parado ou perturbado.

Para uns, emerge o gosto de ouvir as badaladas, para outros, nem o som do ponteiro é tolerado.

O tempo parece alertar-nos para o tempo da viagem! Na verdade parece despertar-nos para o sentido da viagem!

“É a representação do tempo, a maneira como recordo o meu passado para gerir as minhas recordações e me deliciar com os meus sonhos que enchem de sentido aquilo que percepciono. O relato que faço daquilo que me aconteceu e o quadro que pinto da felicidade esperada apresentam-me um mundo que não existe, que não está presente e que contudo sinto intensamente (Cyrulnik, 2007).

Hoje proponho-lhe que se imagine sem tempo. O que diria? A quem diria? O que faria? Com quem estaria? O que escolheria?

1 – Encontre as suas prioridades;

2 – Valorize o essencial da vida;

3 – Reoriente-se para o sentido da própria vida;

4 – Onde está a perder tempo?

5 – Onde pode ganhar tempo?

6 – Relembre por um instante, boas recordações, bons momentos…fique um tempo neste tempo.

Pedes-me um tempo
pra balanço de vida
mas eu sou de letras
não me sei dividir
para mim um balanço
é mesmo balançar
balançar até dar balanço
e sair…

Pedes-me um sonho
pra fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar
e agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar
de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer
mas de que, paixão?
de quê?
se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter, nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração…

Prendes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens
esqueces que às vezes
quando falha o chão
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos

(…)

(Mafalda Veiga e Tiago Bettencourt, Balançar)

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