Vigorexia: quando o exercício vai longe demais

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Luís Gonçalves

Luís Gonçalves

Também chamada de transtorno dismórfico muscular ou Síndrome de Adonis, esta é uma problemática que não pára de aumentar e que se enquadra nas perturbações obsessivo-compulsivas. Nos tempos recentes, cada vez mais pessoas têm sensibilidade para a prática desportiva como forma de melhorarem a sua saúde física e psicológica. Nesse sentido, existe uma grande oferta de ginásios, associações e clubes desportivos que contribuem para se atingir índices físicos que ajudem a pessoa a sentir-se bem consigo própria. Até aqui, parece-me tudo ótimo…

O problema surge quando se perde o controlo sobre a frequência e a intensidade da prática desportiva e que passa a ser influenciada por uma auto-imagem distorcida, com algumas semelhanças com a anorexia. Este é um processo gradual, em que as pessoa começa a ignorar as opiniões que apontam para estar a fazer demasiado exercício e vai-se desligando da sua imagem “real”. Torna-se depois obsessiva em relação ao corpo, sentindo uma insatisfação permanente e procura incessantemente a forma física perfeita. Para ela, o seu corpo nunca está suficientemente “forte”, tonificado, atraente ou saudável, havendo um enorme atenção para as “imperfeições” (mesmo que muito pequenas) e a sensação de vergonha e humilhação constantes. Para procurar superar este obstáculo, chega a consumir variadas substâncias para potenciar os efeitos do treino intensivo (como proteínas, aminoácidos, anabolizantes, esteroides, suplementos vários ou dietas rigorosas) com efeitos negativos no seu bem-estar global.

Então e que efeitos tem?

Se pensarmos que o indivíduo passa a “viver para o ginásio”, é natural que várias necessidades psicológicas comecem a não ser satisfeitas e que o desconforto psicológico surja. Surgem sintomas associados a , , insónia, problemas sexuais, irritabilidade, isolamento social e insucesso laboral, problemas de concentração e memória, baixa auto-estima ou dificuldades no controlo de impulsos. As origens podem ser várias como questões neurobiológicas, traumas, grande necessidade de agradar aos outros ou compensação de perdas ou frustrações nas várias áreas de vida.

Como pode ajudar a psicoterapia?

No trabalho com estas pessoas, estabilizamos o seu desconforto através de técnicas e abordagens específicas (como o EMDR, o mindfulness, a cognitivo-comportamental ou a comportamental dialética). No essencial, introduzimos novos hábitos, exploramos e resolvemos as origens emocionais da perturbação, restabelecemos a sua rede social e auto-imagem, a sua sensação de controlo sobre a sua vida e, em termos gerais, recuperamos a sua auto-estima.

Porque há problemas que começam sem darmos conta, cá estamos nós para o ajudar.

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