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Vinculação nas relações amorosas do adulto

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Inês Mota

Inês Mota

A teoria da vinculação de Bowlby esclarece que as relações influenciam a forma como nos posicionamos, adiantando que quando vivemos uma relação precoce segura os outros são para nós uma fonte de disponibilidade e de compreensão, ao contrário do que acontece quando a nossa vinculação foi insegura, em que surge a convicção de que os outros vão abandonar-nos, rejeitar, ignorar ou ser abusivos.

A aplicação recente da teoria da vinculação às relações adultas é um passo revolucionário para a terapia de casal, já que fornece um enquadramento coerente, relevante e bem fundamentado para a compreensão e intervenção nas relações amorosas do adulto.

Alguns princípios centrais da teoria da vinculação (que a autora Susan Johnson salienta na Terapia Focada nas Emoções para Casais, e que nos ajudam a compreender a angústia na separação ou distanciamento e o conforto na proximidade a figuras de vinculação, tanto nas relações de pais e filhos como nas relações amorosas em adultos, com os nossos companheiros) são:

– A acessibilidade emocional e a responsividade (atitudes compreensivas que visam favorecer o desenvolvimento da autonomia e da auto-afirmação) permitem a criação de vínculos. Um elemento do casal pode estar fisicamente presente mas emocionalmente ausente. Aqui a angústia de separação resulta da percepção de que uma figura de vinculação está inacessível. A disponibilidade emocional e a confiança de que esse vínculo vai estar disponível se necessário torna-se crucial para a percepção da segurança relacional.

O medo e incerteza activam as necessidades emocionais. Quando um elemento do casal se sente ameaçado nas suas necessidades de vinculação, como conforto e conexão, são activados comportamentos típicos de vinculação de procura de proximidade, como protecção, contra sentimentos de desamparo e de insignificância.

– O processo de angústia de separação é previsível. Se os comportamentos de vinculação falharem em evocar responsividade do nosso parceiro, é natural que ocorram processos típicos de protesto como zanga, dependência, depressão ou desespero.

Uma dependência segura permite a autonomia. Não existe uma completa independência ou dependência dos outros nas relações amorosas, mas sim uma dependência eficaz ou ineficaz, sendo que quanto mais conectados e seguros nos sentimos melhor conseguimos diferenciar. O ajustamento aqui significa conseguir uma condição de interdependência, em vez de se conseguir ser auto-suficiente, ou mesmo isolado dos outros.

– A vinculação cria uma base segura. Desta forma consegue-se explorar o universo e responder de forma mais adaptativa ao ambiente. Quando as relações oferecem segurança, consegue-se procurar o apoio dos outros e lidar com o conflito e o stress de forma mais positiva.

Os princípios enumerados permitem-nos compreender sentimentos poderosos gerados em “danças de casais”, provocados por movimentos de distanciamento ou de proximidade pelos elementos. Evolutivamente continuamos, em adultos, a precisar de movimentos de conforto, de segurança e de validação para que nos sintamos estimados, valorizados e seguros nas nossas relações amorosas.

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