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Você quer viver um conto de fadas?

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Mariana OliveiraQuando ainda bem pequenas, ouvimos nossas dedicadas mães, sentadas à beira de nossa cama, contarem histórias de princesas, sapos, príncipes, bruxas e final feliz. São inúmero contos: Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, Bela Adormecida, entre outros tantos roteiros.  Assim, construímos em nós, mulheres, história por história, uma imagem de relacionamento e de parceiro que, em um futuro, garantirá nada mais, nada menos do que o eterno adiamento do tão esperado “final feliz”. Crescemos acreditando no mito do príncipe encantado, que os problemas das relações são causados por bruxas, nos esforçando para sermos princesas, principalmente, acreditando que só seremos felizes no fim!

Passamos a vida nossa esforçando para sermos sempre melhores, mais bonitas, mais independentes – e não há problema nenhum nisso, à não ser quando começa a ser um problema – e sempre na espera pelo encontro com um príncipe encantado que vá nos recompensar por todo esse esforço. Algumas mulheres nunca irão encontrar o tão sonhado príncipe, pois tamanha é a criação desse homem e as expectativas sobre ele, que este só pode mesmo existir em contos de fada. Vivem começando e terminando relacionamentos, queixando-se, afinal, homem nenhum irá suprir tamanha expectativa. Outras desistem de tentar ser  princesas, diminuem o grau de exigência consigo e com o outro e encontram, sim, não um príncipe, mas alguém com quem podem compartilhar uma vida. Primeira etapa da história vencida: o parceiro já foi encontrado! Mas aí chegam as bruxas! Malditas bruxas que sempre rodeiam os relacionamentos. Elas são o próximo obstáculo para o tão sonhado final feliz! Porém, o que não nos damos conta, é que muitas vezes a bruxa existe dentro de nós na forma de insegurança, ciúmes, impaciência… E desta forma a vida vai sendo levada, a relação desgastada …e o esperado final?  Este, na verdade, não existe. O fim, aliás, pode acontecer em qualquer momento da sua vida, naquele mais inesperado, sem dar tempo da felicidade acontecer somente com o virar das páginas da vida. Vivemos na esperança de uma felicidade que acontece somente no fim, convivendo durante toda história com bruxas internas.

 

Já que o fim pode chegar a qualquer momento, as bruxas irão sempre existir, os príncipes são impossíveis de encontrar e ser princesa, muito difícil de se tornar, o importante é nos despirmos desses papéis, criarmos nossa própria história, impedirmos as bruxas de entrarem  (ou saírem) em nossas vidas – seja em qual área da vida for, amorosa, profissional, familiar – e sermos felizes hoje, pois o fim pode demorar demais para chegar, ou chegar muito cedo.

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Comments

  1. Pedro A. Santos  May 27, 2015

    A tênue linha, delineada desde a mais tenra idade, entre o saudável e o patológico. Excelente análise, com muita leveza, das construções sociais. Como mecanismos culturais, aparentemente tão inofensivos e, claramente, tão importantes, como são as estórias para crianças, nos acompanham para o resto de nossas vidas, trazendo-nos aprendizados sociais importantes MAS, ao mesmo tempo, porque não, muitos PRÉ-conceitos, nem todos úteis ao indivíduo (para não dizer ‘danosos’). Realmente a maioria de nós passará o resto da vida tentando não nos agredirmos cobrando-nos a perfeição do “faz de contas”. Aprendendo a reconhecer que, para sermos felizes conosco e, com os outros, dependemos: em primeiro lugar, de aceitarmos e acolhermos a condição humana: a de seres IMPERFEITOS (e na minha opinião, passíveis de evolução); e em segunda lugar, de aprendermos que o “foram felizes para sempre” se não for impossível, é certo que COMEÇA NECESSARIAMENTE AGORA. Parabéns mais uma vez pelo excelente texto doutora Mariana.

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