Há vida nos intervalos

Há vida nos intervalosImagine que vai ao ginásio e escolhe uma única máquina, num único exercício, para treinar. Quanto tempo aguenta? Uns minutos apenas, disse? Agora vai para uma aula, diversificada, em que vai trabalhando diversos músculos, de diversas formas. Quanto tempo aguenta? Pelo menos a hora toda da aula, certo? E, se estiver em forma, talvez consiga fazer duas aulas de seguida.

 

Então porque é que se espanta por não conseguir que o seu cérebro se mantenha concentrado e em pleno desempenho durante o tempo todo que decidiu que assim tinha de ser?

 

Vamos fazer de conta que os circuitos cerebrais que são chamados a desempenhar uma qualquer tarefa funcionam como músculos num ginásio. Sim, eu sei que esta metáfora tem sérias limitações, mas é uma metáfora, está bem? E dá-nos jeito para percebermos intuitivamente porque é que o cérebro começa a empastelar e a recusar-se a funcionar quando queremos que ele esteja a fazer a mesma coisa sem pausas.

 

Além disso, temos dois modos que funcionam em alternância – não em simultâneo – e que precisam de acontecer para que algo de interessante se passe como, por exemplo, uma aprendizagem. Há o modo do fazer: fazer-fazer ou assimilar informação. E há o modo da integração: quando o que fizemos e o que assimilámos é integrado nos nossos quadros de referência interna, encontra um lugar para ficar e ganha relevância individual.

 

É por estas duas questões – a necessidade de dar descanso a uns circuitos cerebrais e fazer movimentar outros e a necessidade de alternar os modos de funcionamento para que as aprendizagens transitem do agora impermanente para a memória de longo prazo – que é fundamental criar pausas frequentes na actividade que está a fazer, seja ela qual for. E quão frequente é a frequência desejável? Ainda que não haja uma palavra definitiva sobre o assunto, e que o mais importante é habituar-se a saber escutar o seu organismo e cumprir com o que ele precisa, em tarefas intelectuais como estudar ou trabalhar, evite passar da hora e meia de concentração.

 

O que fazer nas pausas? Não precisa contar moscas no tecto ou ficar a contemplar o vazio. Garantidamente! Uma pausa é pausa da actividade em que estava – o descanso acontece circuito a circuito. Por isso, largue o que estava a fazer e substitua por outro afazer.

 

E quanto tempo chega para uma pausa? Novamente, escute o que o cérebro lhe diz porque não há grandes respostas nesta área. Mas não pense que lhe estou a dizer para tirar uma licença sabática. Regra geral, algo entre os 5 minutos e os 15 chegam para um “reset” ao computador central e ele arrancar de fresco. E, a cada 24 horas, o mais importante: entre 7 a 8 horas a dormir! É nestas pausas de actividade que se passam os fenómenos mais interessantes de aprendizagem e arrumo interno.

Bons intervalos!

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-05-31T16:08:19+00:00 Maio 31st, 2017|Desenvolvimento Pessoal, Madalena Lobo|
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