Ainda que sejam indesejadas, as discussões acabam por ser uma inevitabilidade nas diferentes dinâmicas relacionais. A única via para as evitar é a fuga, seja por afastamento físico, seja por retirada emocional, por adopção do silêncio ou de um estilo passivo-agressivo.
Por mais que pareça que estamos a viver a mesma situação que alguém próximo no momento, passível de uma única interpretação, há sempre formas distintas de a perceber, opiniões de fundo, princípios e valores distintos, gatilhos que activam mais uns do que outros.
Muitas vezes, nem é a discordância que motivou a conversa. É o acumular de conflitos anteriores que não foram reparados da melhor forma, é o estado de cansaço, as preocupações, as decisões à espera de ser tomadas,… Os casais discutem, os pais e os filhos desentendem-se, os irmãos também, os amigos idem.
Se vai discutir, já que parece inevitável que, mais tarde, ou mais cedo, o vai mesmo fazer, e, seja com o seu marido ou mulher, filho, pai ou mãe, amigo, vizinho ou colega de trabalho, mais vale cumprir alguns princípios de uma comunicação eficaz, não lhe parece?
– Evite generalizações como sempre e nunca. Ao invés de prosseguir o tema que estava a ser debatido, a tendência do seu interlocutor se sentir acusado/culpado e vai ser, muito provavelmente, a de se defender – “Como assim, nunca faço nada em casa? Ainda ontem arrumei a louça da máquina!”
– Evite usar a segunda pessoa do singular ou plural (tu / vocês) se não quer encontrar resistência imediata “do outro lado” – “Como assim, nunca faço nada em casa? Então e tu? Quando é que foi a última vez que me convidaste para jantar fora?” Como no caso das generalizações, também podem ser recebidas como acusações.
– Antes de conversar, reveja mentalmente qual é o objectivo com que vai iniciar essa conversa – “O que pretendo obter? Um pedido de desculpas? Uma mudança de comportamento?”. Esta reflexão vai ajudar a adaptar a linguagem (verbal e não verbal).
– Ceda à tendência de enveredar por uma luta pela razão. A verdade é que, com o prolongar e escalar de uma discussão, ninguém ganha.
– Dizer acalma-te tende a não ser de todo eficaz no calor de uma discussão. Existe uma estratégia, a que se chama “regra dos 10/15 minutos” ou “time-out” (qualquer intervalo de tempo que seja suficiente para haver uma tranquilização). Não implica abandonar ou desistir da conversa, mas sim, voltar a ela quando a activação emocional já abrandou. Irá verificar a diferença na atitude dos intervenientes.
No contexto de uma discussão mais acesa, torna-se difícil atentar ao “verdadeiro”/relevante conteúdo, que se perde no meio de discussões acessórias sobre o tom de voz ou outra variável, tudo é interpretado como sendo pessoal e acusatório. A reação emocional não é proporcional ao comportamento nem conteúdo das verbalizações do interlocutor, mas a esta “personalização”, tendendo a entrar num registo de competição e numa escalada sem fim à vista e, sem qualquer benefício ou resultado prático.
(Como pode ajudar, em casal? Cada um dos elementos do casal pode pôr esta ferramenta em prática per si, inclusive, noutros contextos que não o mais atreito a dificuldades de comunicação. Se possível, num momento calmo/neutro, o casal pode combinar um sinal/código simples para vir a ser usado num momento em que um dos elementos do casal, ou, os dois, relembrar(em) o que chegou o momento de fazer uma pausa. O elemento do casal que se está a sentir mais activado, pode verbalizar algo como “Estou a tentar ouvir, mas estou a começar a levar o que estás a dizer demasiado a peito. Podemos fazer um intervalo e recomeçar a conversa dentro de 15 minutos? Os teus sentimentos são importantes para mim e quero ter a certeza de que os compreendo”. Durante este tempo, pode recorrer a estratégias de relaxamento, semelhantes às que são usadas em situações de activação fisiológica extrema, como as do foro ansiogénico, ou, simplesmente, sair para apanhar ar ou caminhar um pouco. Depois de esta estratégia estar mais treinada, pode-se aproveitar também para focar/relembrar aspectos positivos da relação).
Já que vai discutir, faça-o bem!
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Há pouco tempo uma amiga anunciou-me que, após cerca de dois meses de namoro, [...]
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