Se o portar mal falasse

Se o portar mal falasse“Portar mal é…”

Para mim é gritar, diz a mãe da Laura. Para mim é bater, diz o pai do Joel. Para mim é não fazer o que eu mando, diz a professora do Pedro. Para mim é chamar nomes, diz a pequena Madalena. Para mim é não parar quieto, diz o Vicente.

Estas são algumas das partilhas que oiço em consultas e formações.

 

E para si? O que é isto de portar mal? O que querem as crianças dizer através do comportamento? Porque surgem estes supostos “maus comportamentos?” A verdade é que, tantas vezes, dizem coisas que não conseguem por em palavras. Emoções a que não sabem dar nome. Pensamentos que não conseguem verbalizar. Dúvidas que receiam dizer em voz alta.

 

Quando apresenta comportamentos desajustados, a criança sente-se muitas vezes assustada, insegura, desorientada, sem saber o que fazer. Ela necessita de uma disciplina gentil, mas firme e consistente. Sabendo que pode contar com os seus pais, e outros cuidadores, nesta orientação gentil, firme e consistente, a criança sente-se mais segura e calma, conseguido mais facilmente controlar as suas ações.

 

Deixo-lhe 3 pistas rápidas para transmitir segurança à criança, tentando evitar aqueles “maus comportamentos” que mais não são do que pedidos de ajuda, pedidos de atenção, pedidos de orientação.

 

  • Cumpra as suas promessas. A criança precisa de saber que pode confiar em si. Evite fazer promessas que, depois, não pode cumprir. Mesmo quando fala de castigos, assegure-se que posteriormente os conseguirá manter. Ajude a criança a compreender que “sim é sim” e “não é não”. Exceções são exceções!
  • Interrompa as situações problemáticas com rapidez. Não argumente com a criança, mas também não faça do seu poder a única forma de se fazer ouvir. Evite perder o controlo. A criança precisa de sentir que os pais conseguem regular as suas emoções. A verdade é que na escalada emocional, perante uma situação desafiante, tenderá a sentir-se irritado, tenderá a gritar, a usar a força e a fazer promessas que não conseguirá cumprir. A imagem de um pai ou mãe descontrolado apenas contribui para que a criança se sinta assustada, insegura, em perigo. Em nada a ajudará a compreender o que poderá fazer de forma diferente. Por todos estes motivos, quanto mais cedo conseguir controlar um problema, maior a probabilidade de conseguir regular as suas emoções e com maior clareza conseguirá apoiar o seu filho.
  • Aprecie o que o seu filho tem de único e especial. Todos os comportamentos têm um objectivo. Alguns desses “maus comportamentos” têm como objetivo receber atenção. Atenção que talvez não esteja a surgir perante “bons comportamentos” Se o objetivo é ter atenção, então, o ideal é que ela seja dada na sequência de “comportamentos ajustados”. Procure compreender que mensagens escondem os comportamentos do seu filho. Demonstre apreço e elogie o seu filho quando ele manifesta comportamentos que gostaria que ele voltasse a repetir. Enalteça aquilo que ele tem de único e especial.

 

Com paciência e persistência, conseguirá ser cada vez mais eficiente, em questões de disciplina e estabelecimento de limites razoáveis. Nunca esquecendo o afeto. Conseguirão, seguramente, tirar ainda mais prazer da vossa relação.

Inês Afonso Marques
Inês Afonso MarquesPsicóloga Clínica
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2017-08-08T15:33:02+00:00 Agosto 8th, 2017|Crianças & Pais, Inês Afonso Marques|

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