Ferida no joelho, ferida na alma

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Rita Castanheira Alves

Rita Castanheira Alves

Um estudo publicado na Biological Psychiatry, levado a cabo pelos investigadores Gregory Miller e Steve Cole, mostra que à semelhança de quando se faz uma ferida no joelho o corpo desenvolve uma resposta de inflamação, uma resposta natural e protectora do corpo contra a lesão, Também na situação de trauma psicológico o corpo parece ter a mesma resposta, infelizmente este tipo de inflamação pode ser destrutiva. Os investigadores planearam um estudo longitudinal com um grupo extenso de raparigas adolescentes, saudáveis mas com um elevado risco de . Passados dois anos e meio, as adolescentes foram reavaliadas por entrevistas e com recolha de amostras de sangue para medir os seus níveis de proteína C-reactiva e interleukin-6, ou seja, dois tipos de marcas inflamatórias. A sua exposição a adversidades na infância foi também avaliada.

Os resultados mostram que quando os sujeitos que sofreram de adversidades na infância deprimem, as suas depressões fazem-se acompanhar de uma resposta de inflamação. Nos sujeitos sem adversidades na infância não se verificou a combinação entre depressão e inflamação.

Gregory Miller explica que o estudo é importante por permitir identificar um grupo de pessoas com predisposição para ter depressão e inflamação ao mesmo tempo, o qual se caracteriza por ter tido experiências estressantes na infância, frequentemente relacionadas à pobreza, um dos pais com uma doença grave, ou ter sido separado da famíla. Como resultado, estes sujeitos apresentam depressões difíceis de tratar.

Este estudo permitiu concluir igualmente que a resposta inflamatória se mantem após 6 meses nos indivíduos que vivenciaram adversidades, mesmo quando a depressão é vencida, o que significa que a inflamação é crónica, o que pode indicar outro tipo de problemas de saúde, como diabetes ou doença coronária. São assim sujeitos de grande risco para este tipo de problemas, pelo que deverão estar atentos aos mesmos com os seus médicos, acrecenta o investigador Dr Miller.

Para o editor da Biological Psychiatry, Dr. John Krystal, este estudo mostra-nos que a inflamação é factor importante e subvalorizado que compromete a resiliência após grandes acontecimentos de vida estressantes e que o estado de inflamação persiste por períodos longos de tempo, cumprindo uma correlação funcional.

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