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Perturbação de Personalidade Esquizóide

A Perturbação da Personalidade Esquizóide expressa-se, essencialmente, por três características:

  1. falha de interesse nas relações sociais,
  2. tendência ao isolamento e
  3. frieza emocional.

Apesar da semelhança semântica e de alguns sintomas semelhantes (como o embotamento emocional e o isolamento), esta perturbação não é o mesmo que a Esquizofrenia (a Esquizofrenia caracteriza-se, sobretudo, por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas, como é o caso dos sintomas psicóticos de delírio ou alucinação).

O termo “esquizóide” foi criado por Eugen Bleuer, no início do século XX, para definir uma tendência da pessoa para dirigir a sua atenção para o mundo interior, fechando-se ao exterior.

A característica central que define esta perturbação da personalidade é o padrão evasivo de distanciamento de relacionamentos sociais e uma diminuta expressão emocional em termos interpessoais. Este padrão começa no início da idade adulta e apresenta-se em diversos contextos.

Os indivíduos com esta perturbação parecem não ter um desejo de intimidade, preferindo passar o tempo sozinhos em detrimento de estar com outras pessoas (mesmo no contexto familiar). As actividades escolhidas são predominantemente solitárias. Mesmo quando se tratam de momentos com outras pessoas, a interacção é diminuta.

Deste modo, identifica-se uma preferência por tarefas mecânicas ou abstractas, assim como uma satisfação reduzida em experiências sensoriais.

A pessoa com Perturbação da Personalidade Esquizóide parece, igualmente, indiferente às críticas ou elogios. Pode parecer lento e letárgico, com um discurso monocórdico, tendo tendencialmente um humor negativo.

Esta perturbação da personalidade pode aparecer pela primeira vez na infância ou adolescência sob a forma de solidão, fraco relacionamento com os pares e baixo rendimento escolar, podendo criar situações em que estas crianças e adolescentes sejam vistas como diferentes e como alvos de bullying.

A Perturbação da Personalidade Esquizóide é diagnosticada com uma frequência levemente superior em sujeitos do sexo masculino. Pode, ainda, ter uma prevalência maior entre os parentes de indivíduos com Esquizofrenia ou Perturbação da Personalidade Esquizotípica.

  • Critérios de diagnóstico

    A. Um padrão de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em contextos interpessoais, que começa no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos, indicado pelo menos por quatro dos seguintes critérios:

    1. não deseja nem gosta de relacionamentos íntimos, incluindo fazer parte de uma família
    2. quase sempre opta por actividades solitárias
    3. manifesta pouco, se algum, interesse em ter experiências sexuais com outra pessoa
    4. tem prazer em poucas actividades, ou em nenhuma
    5. não tem amigos íntimos ou confidentes, sem ser parentes em primeiro grau
    6. mostra-se indiferente a elogios ou críticas dos outros
    7. demonstra frieza emocional, distanciamento ou afectividade embotada.

    B. Não ocorre exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia, Perturbação do Humor Com Aspectos Psicóticos, outra Perturbação Psicótica ou um Perturbação Invasiva do Desenvolvimento, nem é decorrente dos efeitos fisiológicos directos de uma condição médica geral.

Sugestões terapêuticas

Como a psicoterapia tem uma forte natureza interpessoal, as pessoas com perturbação da personalidade esquizóide terão algumas dificuldades em se “encaixar” na colaboração e relação terapêutica.

A psicoterapia trará sentimentos ambíguos, havendo o receio por parte do cliente que a mesma o faça descobrir mais falhas na sua personalidade e aumentar o seu sentido de ser desadequado.

Será, igualmente, difícil definir objectivos terapêuticos de mudança e colaboração.

Com validação por parte do terapeuta, será importante o foco da atenção na idiossincrasia do problema, isto é, naquilo que preocupa o cliente num determinado tema. Será relevante clarificá-lo, evitando o desfasamento com as expectativas do terapeuta.

Será difícil para o terapeuta, por exemplo, aceitar objectivos terapêuticos que não incluam integração social e que não vão de encontro com estas crenças.

Por exemplo, quanto à temática de “não ter amigos”, o terapeuta poderá considerar que seria importante para o cliente ter um amigo ou dois, quando para este o importante, neste tema, poderia ser que a família não estivesse sempre a dizer-lhe que deveria ter amigos.

Trabalhar com clientes cujas crenças e percepções contrastam significativamente com o terapeuta poderá trazer dificuldades. O cliente poderá ter crenças como: “as pessoas são cruéis”; “as pessoas são frias”; “as pessoas apenas deverão falar se houver alguma coisa para falar”.

Do ponto de vista terapêutico, as sugestões definem-se no sentido do estabelecimento de uma relação de confiança fortalecida, de forma centrada no cliente.

Com a intervenção psicoterapêutica pretende-se ir “derretendo a máscara de gelo”, num movimento de mudança e segurança, com gradual expressão de necessidades e emoções.

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