Abraço, o Todo Poderoso

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Ana Margarida Marcão

Ana Margarida Marcão

Desde que nascemos aprendemos a usar o abraço para mostrar afecto, amizade, amor, etc. A comunicação não-verbal é uma forma poderosa para falar sobre sentimentos. As pessoas querem sentir-se compreendidas e amadas e o abraço pode ser o veículo que transmite compreensão, empatia e conforto. Mas um abraço pode fazer muito mais por nós!

Um estudo da Universidade Médica de Viena (Áustria), conduzido pelo neurofisiologista Jürgen Sandkühler mostrou que abraçar reduz o stress, o medo e a ansiedade. O abraço ainda promove o bem-estar e melhora a memória. Todos estes efeitos positivos devem-se à secreção de oxitocina no organismo. Quando damos um abraço a alguém que nos é próximo a oxitocina, conhecida como a “hormona do amor”, é libertada na corrente sanguínea das duas pessoas que se abraçam, relaxando o corpo, diminuindo o ritmo cardíaco, a pressão arterial e os níveis de cortisol (directamente envolvido nas respostas ao stress). Resultados parecidos foram obtidos pela Universidade da Carolina do Norte (EUA). Esta hormona influencia as nossas ligações emocionais e comportamento social.

Além da oxitocina, um abraço promove também a libertação de dopamina, uma hormona que actua como um estimulante, criando uma sensação de prazer no cérebro. Existem também estudos que demonstram que quando abraçamos alguém a libertação de endorfinas também aumenta. As endorfinas, substâncias produzidas pelo cérebro e pelo sistema nervoso são «narcóticos naturais», que reduzem a dor e fazem com que nos sintamos eufóricos.

Investigadores na UK’s Manchester Metropolitan University, em Inglaterra, concluiram que os abraços são curativos. Abraços frequentes podem actuar como catalizadores de cura de problemas físicos, eles reforçam o sistema imunológico. Como? Aumentando os níveis de hemoglobina (que transporta o oxigénio aos nossos órgãos e tecidos) no sangue.

Mas todos estes benefícios, ao que parece pelos resultados do estudo da Universidade Médica de Viena, só acontecem quando abraçamos alguém que gostamos, confiamos ou conhecemos muito bem. Pelo contrário, se o abraço vier de uma pessoa não tão agradável ou estranha, ao invés de acalmar esse abraço pode stressar determinadas pessoas. Nessas situações, em que a pessoa sente o seu espaço pessoal violado, há um aumento dos níveis de cortisol.

A psicoterapeuta americana Virginia Satir defende que precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver, 8 para manutenção do bem-estar e 12 para crescer. No entanto, os cientistas alertam para o facto de estarmos a viver numa cultura que tende a despromover os abraços, seja porque temos pouco tempo para estarmos com as pessoas que nos são queridas, ou porque o «politicamente correcto» se intromete nos nossos abraços. Uma pesquisa recente da Manchester Metropolitan University indicou que cerca de um terço da população não dá/recebe abraços diariamente.

Abraçar não é uma tarefa nem uma obrigação e não requer equipamento especial. Além disso é muito difícil dar um abraço sem receber outro em troca! Então, caro leitor, pelo prazer que dá e pelos benefícios que proporciona, não acha que vale a pena disponibilizar algum do seu tempo (e ir deixando de lado o «politicamente correcto» e a vergonha) para abraçar os seus pais, os seus filhos, o seu namorado/namorada, os seus amigos,… os que lhe são queridos?

“Abraça-me porque estou a cair, ou porque está frio, ou porque tenho medo.

Abraça-me para me sentires e abraça-me para te despedires, abraça-me para te colares a mim, abraça-me porque nasceste com os braços em forma de abraço, abraça-me porque hoje faço anos e abraça-me porque se desfizeram os meus planos.

Abraça-me por favor sem nenhum motivo, porque o bicho que tenho dentro de mim quer-te aqui comigo. Abraça-me porque sim.”

in O Bichinho de Conto

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