Diálogo entre pais e filhos

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Maria de Fátima Ferro

Maria de Fátima Ferro

Umas vezes por falta de tempo, outras por desinformação, e outras ainda por indisponibilidade, reparamos que alguns diálogos entre pais e filhos se transformam rapidamente em monólogos, em que há um que fala e outro que provavelmente escuta.

Também há situações em que os pais têm a perceção que até falam com os filhos sobre tudo, mas parece que isso não adianta, a maior parte das vezes também eles sentem que não são ouvidos.

Existe claramente uma diferença entre ouvir e escutar, em que o ouvir é apenas a captação de sons enviados e processados, e o escutar já exige sensibilidade, é ter disponibilidade e entendimento da informação que está a ser processada. É ter empatia, sabermos colocar-nos no lugar do outro para o entender, é estar com o coração atento, ajudar e sobretudo não criticar. A crítica destrutiva, muitas vezes, feita em prol dos valores educacionais, é uma das maiores causas do distanciamento entre pais e filhos.

E quando isso começa a acontecer cria-se um desconhecimento dos pais em relação aos pensamentos, ideias e vontades dos seus filhos. Sem saberem como agir, o distanciamento alcança um ponto tão crítico que os pais só chegam a detetar diferenças nos seus comportamentos perante uma situação crítica e, que por vezes, já é de difícil retorno.

Conquistar a confiança das crianças é um trabalho que deve ser iniciado desde os primeiros contatos com o bebé. A dependência da criança nesta altura, facilita este estreitamento de laços que serão estimulados no futuro à medida que ela se torna cada vez mais independente. É preciso ouvi-la com atenção, fazer-lhe perguntas que a façam perceber o seu interesse pelo que ela está a dizer e sobre o que acontece com ela, sendo isto muito diferente de inquirir como se quiséssemos invadir a sua privacidade.

Nunca foi tão importante o contato humano e as nossas crianças também sabem disso. Na maioria das vezes elas possuem tantos aparelhos, que mediatizam a relação através deles, usam os telemóveis, computadores as webcams, etc. que facilitam a comunicação social, no entanto é essencial a relação presencial, o toque, falar com elas e ensinar-lhes o que elas necessitam de saber. É fundamental ter disponibilidade para estar junto da criança permitindo que ela compartilhe emoções e comportamentos, sem julgar e acusar, apenas conversando com ela.

Os gritos e as acusações não acrescentam nada à comunicação, antes pelo contrário diminuem a possibilidade de um diálogo genuíno. Essa é a melhor forma de as acompanhar, de estarmos próximos delas, das suas emoções, aflições, dúvidas, perigos e preocupações.

 

Deixo-vos aqui um modelo/exemplo de comunicação que vos poderá ajudar em situações em que os vossos filhos fizeram algo que vos desagradou e que é baseado em cinco pontos:

 

1 – Nomear a emoção (dizer como se sente perante o acontecimento)

“Eu fiquei/estou triste…desiludido(a)…furioso(a)”

2. Relatar o sucedido, do seu ponto de vista

“Quando aconteceu isto…fizeste aquilo…disseste que…”

3. Propor mudanças

“Gostava que de agora em diante fosse assim…não acontecesse…”

4. Apontar benefícios da solução

“As coisas correriam melhor se…”

5. Apontar desvantagens da irresolução

“Serás castigado…Perco confiança…”

 

Oiçam com o coração e Boa Sorte.

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