Como se apaixonam os adolescentes

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedin

Lúcia Bragança Paulino

Lúcia Bragança Paulino

A adolescência é a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta e com esta surgem uma série de alterações a vários níveis – físico, emocional e social. À medida que o jovem cresce e se desenvolve física, social e emocionalmente, vai deparar-se com novas emoções e sensações que serão progressivamente mais complexas e até então desconhecidas.

Sendo a adolescência um período característico pela sua exuberância hormonal, estão também presentes, nesta fase da vida, impulsos e alguma instabilidade emocional. As emoções são confusas e provocam um turbilhão de sensações que desorganizam o adolescente. Não existe assim um formato único para as paixões dos adolescentes nem uma idade rigorosa para se falar mesmo em amor e paixão. A própria maturidade do jovem será um melhor indicador, e esta varia muito de pessoa para pessoa bem como entre os géneros masculino e feminino.

Existem muitas variantes quando falamos do sentimento amoroso. Podemos ter o amor/paixão, amor/romântico, amor/físico, amor/platónico e claro o amor de pais e amor de filhos. Na adolescência as questões da paixão assumem características especiais, gerando sentimentos antagónicos e bastante próximos no tempo, tais como euforia, angústia e tormento. Nesta fase do desenvolvimento é comum a paixão durar apenas uma semana.

São muito frequentes as situações de amor platónico que gera ansiedades e um turbilhão de emoções apenas num piscar de olhos, ou mesmo quando o adolescente se apaixona por um ídolo.

O auge do desenvolvimento hormonal vai provocar um vórtice de paixões que poderá ter várias direções: algumas em simultâneo, outras de curta duração, outras ainda de carácter impossível. No entanto não é qualquer pessoa que provoca este tipo de paixão. Para que ocorra uma “faísca” é necessário haver uma identificação. Esta identificação pode passar por um simples perfume, uma expressão, um modo de andar, ou por exemplo, como frequentemente acontece com os ídolos musicais, através de uma identificação com a música.

É no entanto no grupo de pares que as primeiras paixões normalmente acontecem.

Estas “paixonetas” fazem parte do desenvolvimento emocional do adolescente e são saudáveis enquanto não atingem comportamentos de risco. O seu decorrer normalmente depende de outras relações sociais e da sua estabilidade. Com o desenvolvimento emocional e da própria maturidade vão sendo atribuídos diferentes significados às paixões platónicas. O curar destas paixões é usualmente natural e acompanha o estabelecimento de novas relações sociais e de novos focos de atenção e paixão. Será no entanto importante não levar estas paixões a comportamentos de risco, podendo o jovem entrar numa espiral de identificação patológica e de difícil corte.

A paixão por si só traz inúmeras sensações de prazer. É frequente ver adolescentes a sonhar acordados durante uma aula, perdendo a noção do espaço e do tempo, comportamentos que estimulam a produção de substâncias no nosso organismo que geram energia. Estas substâncias são também responsáveis por um enorme otimismo e uma expressão cheia de vida, características de quem vive uma paixão.

O desenvolvimento da paixão na adolescência cumpre uma função necessária no desenvolvimento da amizade e na preparação do futuro amor. Por estas razões os pais devem evitar atitudes de preconceito e punitivas que dificultem o relacionamento normal entre adolescentes.

A socialização dentro de grupos mistos fomenta o desenvolvimento da virilidade e da feminilidade, através das diferenças entre os géneros bem como através de processos de identificação com os pares. Rapazes e raparigas aprendem a conviver e adquirem qualidades complementares.

A missão dos pais não deverá passar apenas por permitir estes relacionamentos sem nenhuma orientação, apoio ou controlo. Existem sempre riscos que exigem um trabalho preventivo por parte da família e uma orientação em cada situação específica. Este trabalho preventivo deve começar antes mesmo da chegada da adolescência por meio de uma abertura ao diálogo familiar, onde o jovem poderá expor as suas dúvidas e falar sobre os seus sentimentos sem receio de julgamento.

Facebooktwittergoogle_pluspinterestlinkedin

0
  Talvez também lhe interesse: