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Perturbação de personalidade dependente

A personalidade dependente caracteriza-se por uma forte necessidade em se sentir cuidado, protegido e próximo dos outros. Há uma grande dificuldade em sentir-se autónomo, só e vulnerável. Quando se sente desta forma, surge um caos interior e uma enorme angústia. Torna-se difícil levar a sua vida para a frente e cuidar de si próprio(a) sozinho(a). Por isso, rapidamente tende a procurar alguém que o possa apoiar e proteger. É como se não fosse possível viver na solidão, como se as coisas não fizessem sentido sem alguém que possa cuidar de si, garantir-lhe segurança.

Assim nasce o desejo e a procura constante de um companheiro(a) que saiba lidar melhor com a vida e que o(a) possa proteger. Quando esta pessoa surge, ela é tão importante para si que não se importa de abdicar dos seus sonhos, desejos e necessidades para que ela goste de si e fique por perto. Esta pessoa é, geralmente, idealizada, reveste-se de uma enorme importância e praticamente não tem defeitos – é a pessoa ideal.

Deste modo, tende a criar fortes laços com as pessoas de quem é próximo(a). Se por um lado pensa que seria saudável ser mais independente, ao mesmo tempo pode recear que quanto mais autónomo(a) se tornar, maior seja a probabilidade de ser abandonado. Porém, isto aumenta o risco de se envolver em relações que acabam por lhe trazer sofrimento, já que é como se tentasse sistematicamente apagar-se a si mesmo para agradar ao outro. Poderá inclusive acabar por se envolver em situações que podem ser muito incongruentes com os seus próprios valores.

Quando uma destas relações termina, é como se a sua vida desabasse, deixasse de ter sentido, ou já não existissem mais motivos para viver sem a presença do outro. Apesar do enorme desgosto, frequentemente tende a procurar uma nova relação ao fim de algum tempo, acabando por passar por períodos de grande instabilidade relacional. Essas relações parecem começar e terminar rapidamente, o que contribui para que se sinta ainda mais triste, desolado e pouco confiante/seguro face a si próprio.

Tem uma grande dificuldade em tomar decisões por si só, procurando constantemente segundas opiniões e conselhos das pessoas que o rodeiam. Quando surgem divergências de opiniões com as outras pessoas, é tendencialmente difícil expressar o seu desacordo, acabando muitas vezes por aceitar a visão do outro ou fazer coisas com as quais muitas vezes não concorda.

A sua auto-estima é provavelmente baixa. Imagina que as outras pessoas são melhores e as suas ideias não têm valor e deverão estar erradas. Quando alguém o corrige ou repreende, sente que perde totalmente o seu valor e submete-se rapidamente às ordens que os outros estabelecem, numa tentativa de ser aceite e tornar a ser protegido.

Este padrão começa por norma, no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos. Apesar de ser diagnosticado com maior frequência em mulheres, as diferenças entre género não são significativas. A sua prevalência entre homens e mulheres é semelhante, sendo inclusive um dos tipos de personalidade mais comuns em contexto clínico.

Uma necessidade invasiva e excessiva de ser cuidado, que leva a um comportamento submisso e aderente e a temores de separação, que começa no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
1)    Dificuldade em tomar decisões sem um excessivo aconselhamento e tranquilização pelos outros;
2)    Necessidade de transferir as responsabilidades para os outros na maior parte das áreas importantes da sua vida;
3)    Dificuldade em discordar dos outros por medo de perder suporte ou aprovação;
4)    Dificuldade em iniciar projectos ou fazer coisas por sua conta (pela ausência de confiança nas suas capacidades, em vez de ausências de motivação ou energia);
5)    Entrega-se a excessos para obter cuidados e apoios dos outros, ao ponto de se oferecer como voluntário para tarefas desagradáveis;
6)    Sentimentos de desconforto e desamparo quando sozinho, por medo exagerado de ser incapazes de cuidar de si próprio;
7)    Procura urgente de outras relações, em substituição de alguma relação íntima terminada;
8)    Preocupações irreais com o medo de ficar entregue a si próprio.

A origem destes traços de personalidade tende a situar-se nas relações precoces que a criança estabelece com o mundo desde pequena. É muito provável que em criança tenha desenvolvido a crença de que não conseguiria sobreviver sem a proteção dos outros e a procura constante de ajuda. Talvez tenha aprendido que o mundo era um lugar mau onde poderia ser facilmente magoado sem alguém ao seu lado que o(a) possa proteger.
Face a este padrão de comportamentos, emoções e cognições, é provável que dê por si a reconhecer pelo menos alguns destes sinais em si próprio, ou até mesmo em alguém que lhe é muito querido. Se assim for, procure ajuda. É possível, com ajuda especializada, cuidar da forma mais adequada destas fragilidades que tanto sofrimento lhe podem estar a causar ou ter vindo a causar ao longo da sua vida. A psicoterapia pode ser uma fonte de ajuda particularmente enriquecedora e útil.

 

Como intervir?

O acompanhamento individual é a melhor forma de criarmos um espaço em que se possa sentir seguro, compreendido e ajudado. Neste espaço, pretende-se:
•    Criar um clima de segurança em que se sinta compreendido e cuidado;
•    Aumentar a auto-estima e auto-confiança;
•    Melhorar o humor, optimismo e tranquilidade interior;
•    Diminuir a auto-crítica;
•    Desenvolvimento da assertividade em substituição de comportamentos mais passivos;
•    Exploração dos recursos e interesses pessoais;
•    Promoção de autonomia;
•    Reduzir o medo do abandono;
•    Aumentar a capacidade de gerir emoções;
•    Modificar a forma de lidar com a separação, crítica, desacordo, rejeição e solidão;
•    Aumentar a sensação de tranquilidade interior;
•    Lidar com a de forma construtiva.

Este é um trabalho prático e os objectivos enunciados são apenas orientadores, dado que todo o processo de ajuda é centrado em si, nas suas características e na sua forma de ver o mundo e pretende-se que tenha impacto não só no seu presente, como também no seu futuro.

A origem destes traços de personalidade tende a situar-se nas relações precoces que a criança estabelece com o mundo desde pequena. É muito provável que em criança tenha desenvolvido a crença de que não conseguiria sobreviver sem a proteção dos outros e a procura constante de ajuda. Talvez tenha aprendido que o mundo era um lugar mau onde poderia ser facilmente magoado sem alguém ao seu lado que o(a) possa proteger.
Face a este padrão de comportamentos, emoções e cognições, é provável que dê por si a reconhecer pelo menos alguns destes sinais em si próprio, ou até mesmo em alguém que lhe é muito querido. Se assim for, procure ajuda. É possível, com ajuda especializada, cuidar da forma mais adequada destas fragilidades que tanto sofrimento lhe podem estar a causar ou ter vindo a causar ao longo da sua vida. A psicoterapia pode ser uma fonte de ajuda particularmente enriquecedora e útil.

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