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Perturbação de Personalidade Evitante

Já imaginou como seria sentir-se permanentemente inibido quando está com outras pessoas? Como seria difícil sentir que não se consegue integrar, porque não é como os outros? E se, para além do referido, sentisse cada pequeno comentário negativo como uma grande ofensa, que confirma cada vez mais a sua postura de afastamento em relação ao contacto com os outros?

Não seria fácil, pois não?

Isto é o que sente na pele quem sofre de Perturbação Evitante da Personalidade. Ocorre-lhe alguém que conheça? O que está a ler encaixa com o que sente e para o qual nunca encontrou explicação? Espero que a seguinte descrição o possa ajudar a compreender melhor esta perturbação e, porque não, o motive a procurar ajuda, no sentido de obter uma maior qualidade de vida. Afinal, sofrer em silêncio não só agrava a situação, como em nada contribui para uma evolução positiva.

Apesar de ter inicio na idade adulta, alguns autores defendem que, já na infância, é possível encontrarmos alguns padrões de comportamento que podem ser indicadores do desenvolvimento futuro de uma Perturbação Evitante da Personalidade. Referimo-nos a timidez, isolamento (particularmente visível no recreio) e medo de estranhos e de situações novas, desconhecidas. No entanto, tal não se constitui como uma obrigatoriedade, sendo que a timidez pode não evoluir para este quadro na vida adulta, mas antes dissipar-se gradualmente. Se existir um agravamento desta timidez ao longo da adolescência, podemos estar perante um futuro caso de Perturbação Evitante da Personalidade.

Já pensou nas consequências negativas que isto implica? Durante a adolescência e início da idade adulta as relações sociais com novas pessoas são particularmente importantes. Quanto pode ser doloroso sentir que não conseguimos ter relação com as pessoas que nos rodeiam por medo? Medo de falar, de ter um comportamento que possa ser considerado como desadequado, desadaptado, de dizer algum disparate, de não ser aceite, de ser criticado ou humilhado pelos outros… Em suma, estar fechado dentro de uma redoma, com a porta aberta, mas sem conseguir sair, poder vislumbrar como é o mundo lá fora, mas não conseguir partilhá-lo com os outros. É muito limitativo, não é?

Já na vida adulta e em contexto profissional, é frequente que rejeitem ofertas de promoção, pelo receio de que as novas responsabilidades se possam reflectir em críticas por parte dos colegas. O trabalho em grupo só é aceite após uma série de propostas generosas, baseadas em promessas de apoio e compreensão. Ao nível das relações com os outros, estas são evitadas até ao momento em que sejam vistas como seguras, ou seja, ausentes de crítica e desaprovação. O mesmo se passa no estabelecimento de relações íntimas, que se revela como uma tarefa muito penosa para quem sofre desta perturbação, apenas superadas quando existe uma garantia de aceitação incondicional.

– Evitam actividades profissionais ou escolares que envolvam contactos interpessoais significativos, por medo de críticas, desaprovação ou rejeição;- As pessoas com esta perturbação não se agregam em actividades de grupo, a menos que surjam propostas repetidas e generosas de apoio e protecção;

– A intimidade interpessoal é habitualmente difícil para estas pessoas, apesar de serem capazes de estabelecer relações íntimas quando está assegurada uma aceitação sem crítica;

– Podem actuar com reservas, terem dificuldade em falar de si e recusarem a intimidade por medo de serem expostas, ridicularizadas ou envergonhadas;

– Tendem a ser tímidos, calados, inibidos e «invisíveis», com medo de que com qualquer chamada de atenção possam ser rejeitados ou rebaixados;

– Dúvidas acerca de competências sociais e aptidões pessoais tornam-se especialmente manifestas em contextos que envolvam estranhos. Estas pessoas consideram-se socialmente inaptas, destituídas de encanto ou inferiores aos outros;

– Podem até surgir sintomas físicos, quando confrontadas com situações que não lhes é possível evitar – ruborização das faces, boca seca, sudação exagerada, entre outras.

Inicia-se habitualmente na infância com timidez, isolamento e medo de situações desconhecidas, em que, em vez de se assistir a uma diminuição progressiva das reacções referidas, se observa uma evolução durante a adolescência.

A prevalência da Perturbação Evitante da Personalidade na população em geral situa-se entre 0,5% e 1,0%. No entanto, fica a ressalva para os casos que sofrem em silêncio ou são mal diagnosticados.

 

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