Nenhuma relação está isenta de desacordos. As divergências são, aliás, uma componente natural, e até importante, numa dinâmica relacional. Representam oportunidades para conhecermos melhor o que nos aproxima e o que nos afasta do(s) outro(s). Isso não significa que algo esteja “errado”, apenas que somos diferentes. O verdadeiro desafio surge quando essas diferenças vêm acompanhadas de emoções desafiantes, como a sensação de não nos sentirmos ouvidos ou compreendidos. A repetição desse padrão pode comprometer a qualidade do vínculo, e consequentemente, reduzir a nossa disponibilidade para estar em relação.
O modo como nos expressamos durante um conflito tem, muitas vezes, mais impacto do que o próprio motivo da discussão. Quando nos sentimos repetidamente criticados, ignorados ou diminuídos, é natural que se instale um clima defensivo ou de bloqueio. Em vez de procurarmos compreender as diferentes perspectivas, entramos numa batalha de razão, e quem perde, muitas vezes, é a própria relação. Na realidade, ninguém nos ensina a discutir, embora seja algo inevitável ao longo da vida. Por outro lado, manter um tom respeitador, escutar com presença e expressar com clareza o que sentimos pode transformar a discussão numa oportunidade. Muitas relações tornam-se mais fortes depois de um conflito saudável, onde ambas as partes se sentiram vistas e ouvidas.
O que nos diz a ciência?
● A forma como começamos uma conversa difícil influência fortemente o seu desfecho. Um início com tom crítico ou acusatório tende a gerar reações defensivas.
● Relações saudáveis mantêm uma média de cinco interações positivas para cada negativa.
● Evitar o conflito pode parecer mais pacífico, mas a longo prazo está associado a mais frustração e menos intimidade.
● A comunicação hostil tem efeitos reais na saúde física — como maior stress, menor imunidade e aumento da inflamação.
Saber discutir é uma competência, e como qualquer outra, pode ser aprendida e desenvolvida. Quando comunicamos com maior consciência e clareza, não estamos apenas a proteger as nossas relações: estamos também a cuidar da nossa saúde emocional e do nosso bem-estar. É um caminho que se desenha e constrói aos poucos, com tempo, presença, e segurança, como a psicoterapia.
Saber discutir
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